quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A pizza do Teixerão

Por Flávia Silva

Não demorou muito e o presidente da CBF Ricardo Teixeira já mostra seu grande apetite político ao elaborar um contrato vergonhoso no esquema da Copa de 2014. Transformar uma entidade sem fins lucrativos em um balcão de negócios é tentar a todo custo macular o esporte brasileiro. A pizza está na mesa e é uma questão de tempo até que cada um deles envolvidos no esquema do Teixeirão abocanhe o seu suculento pedaço. E o pior é que nem vão poder esperar 2014 para degustarem, pois é provável que ninguém goste de pizza fria.

A hora e a vez da Mulher

Eleger Dilma Russeff como a primeira presidente mulher do Brasil é
um avanço inesperado de um país essencialmente machista. Fatos como este nos dá esperança de um futuro mais justo e de igualdade para todos. Que nossa presidente possa provar o verdadeiro valor da mulher brasileira diante do povo brasileiro que lhe deu seu voto de confiança. E assim seja.

Palhaços no Planalto

Por Flávia Silva

A eleição do palhaço Tiririca como o deputado federal mais votado do país vem reforçar a convicção de que hoje em dia fica cada vez mais difícil buscar soluções para os problemas do Brasil através do voto eleitoral. Não que se queira desmoralizar a democracia e seu sistema justo na participação de todos, mas é preciso que se tenha
uma consciência política mais apurada voltada realmente para os interesses da popula-ção brasileira. Enfiar a cabeça num buraco qualquer se escondendo dos problemas que são da alçada de todos nós e eleger mais um palhaço na política não vão acrescentar
em nada a este circo. Ou tomamos uma postura mais séria e responsável diante das ur-nas enquanto ainda há tempo ou então nos conformemos com o papel de meros expec-tadores passivos enquanto eles se lambuzam de marmelada no picadeiro.

quinta-feira, 4 de março de 2010

25 de março de 2005

Que ansiedade! Porque tanto nervosismo? É só uma garota. Linda, simpática e gentil. Nossa! E pensar que já a julguei patricinha, chata e metida. Sou assim mesmo. Julgo sem conhecer. O que me fez mudar? Um sorriso branco e brilhante, que complementam sua face alva com bochechas rosadas, debaixo de lindos cabelos retos. Beleza não é tudo. Sei bem, conheço muitos frascos sem conteúdo. Mas ela é completa. Um belo frasco de perfume da mais cheirosa flor. A ânsia não cessa. Nunca senti tal atribulação. Maldito ônibus que não anda. Cheguei! Ai Deus, lá está ela. Linda, seu nome se torna adjetivo, BÁRBARA. Ouço as batidas retumbantes do meu coração dentro do meu tórax. O que falo, não me compreendo. Perdi a concentração. Deus, ela é mais do que imaginava. Como assim?Pedi um beijo. Sim!? Sensacional! Amanha? Claro! Tchau. Beijo, mais um. Já estou em casa. Em estado de graça. Nem senti o sacolejar irritante do ônibus. Sim mãe, sou eu. Que horas são? Oito e quarenta e seis. Que dia... Oh! 25 de março. Acho que não esquecerei desse dia. Mas será que ela vai querer continuar. Acho que não. Acho que estou apaixonado! Será que eu a amarei?
1795 dias depois... sim, eu a amo muito.
CIELO: O SUPERCAMPEÃO DAS PISCINAS DO GLORIOSO PAÍS DA MONOCULTURA FUTEBOL.

É difícil imaginar o melhor nadador velocista da atualidade, campeão olímpico e mundial nos 50m, medalhista de bronze olímpico campeão mundial também nos 100m, além de recordista mundial em ambas as provas, sendo um brasileiro. Jamais duvidando do inquestionável talento de César Cielo Filho, ou do natural dom brasileiro de superar seus limites, a questão é que 99% não têm a oportunidade que Cielo teve. O investimento em educação no nosso país está abaixo do aceitável para um país do futuro. Sim, a educação, pois se meninos e meninas não começarem a desenvolver sua aptidão para algum esporte na escola, só com muita sorte para conseguir com ajuda de terceiros. A nossa cultura futebolística nos cega a outras modalidades, tornando-se fácil que em nossas precarias escolas públicas, só se pratique o futebol nas aulas de educação física. Em algumas com pouco mais de recurso, os alunos são apresentados á outras modalidades, mas o futebol logo reassume o posto preferencial. Também pudera, quem quer ser jogador de vôlei, basquete, nadador, ginasta, sendo que sem se esforçar muito um boleiro ganha o que todos ganham juntos atuando aqui no Brasil. A falta de incentivo aos esportes olímpicos e os super patrocínios ao futebol (vide o flamengo, 65 milhões∕ ano), frustram sonhos dourados, tornando o futebol muito mais atrativo e rentável. Com o anúncio do Rio de Janeiro como sede dos jogos de 2016, espera-se que muitas modalidades ganhem apoio e incentivos, pois se os investimentos ficarem somente na área de infraestrutura, será uma olimpíada para inglês ver e americano ganhar.
Simplesmente não acordei


De repente estava em pé na porta do quarto de minha mãe, que chorava muito enquanto era consolada por duas de suas irmãs e três vizinhas. Chamava a Deus, pedia que desfizesse o que havia acontecido. Entre soluços, gritos e lágrimas, ouvia a sussurrar meu nome, o que me causou certo espanto, já que estava a sua vista. “Mãe! Estou aqui.” Em vão, ninguém parecia me ouvir. No momento em que ia proferir o mesmo chamado, alguém me deteve. “não vai adiantar.” Era meu pai, que jazia morto a mais de quatro anos. Naquele instante, percebi o que acontecera. “como? Quando?”, interroguei meu pai, que me ignorou completamente. “E os outros, onde estão?”, novamente sem resposta. Saí à procura dos outros. Encontrei minha Irma em seu quarto, de olhos vermelhos e inchados, folheava velhas revistas de futebol e cinema, que me pertenciam. Parecia sua mente estar a quilômetros dali, talvez lembrando quando debatíamos sobre os assuntos daquelas velhas revistas. Quando fui em direção a sala, vi meu irmão e o meu melhor amigo, ambos cabisbaixos, conversando algo inaudível. Ao me aproximar, percebi que meu irmão chorava, e o meu amigo desconsolado o consolava. Entrei em meu quarto, estirada na minha cama e com aparência de quem chorava em demasia, minha namorada dormia profundamente entorpecida por calmantes. Não consegui me aproximar, percebi que mesmo aconteceu com os outros, também não soube o que dizer, emudecido, senti um grande cansaço que nunca havia sentido antes. “despeça-se deles, agora seu tempo está acabando”. Disse meu pai, que da porta me observava.
_ “como assim, para onde vou?
_ “ande rápido, você tem que partir”. Insistiu meu pai.
_ “por que tenho que ir?”
_ “seu lugar não é mais aqui”
_ “por que então você esta aqui?”
_ “só vim te buscar”
_ “tudo bem, mas antes me responda como aconteceu?”
_ “você simplesmente não acordou”

Nesse instante acordei chorando e suando me pus de pé e logo em seguida sentei na cama.