Postagens

Mostrando postagens de Agosto, 2011

Epístola ao Pai

Olá Pai, quanto tempo. Parece que foi ontem que você partiu e ainda sinto a dor daquela noite. Como estão as coisas? Espero que estejam boas, pois aqui tudo anda tudo bem. Desde que se foi muitas coisas mudaram, boas e ruins, felizes e tristes. Hoje sou um homem independente, pago minhas contas, estudo e trabalho. Teria orgulho de ver que o menino inseguro que o senhor deixou aos dezenove, se tornou um adulto equilibrado e responsável. Faço faculdade de jornalismo, e quem diria, estou para me tornar o comentarista que dizia para todos que me tornaria. Uma pena não estar aqui para a formatura.

Por falar em se formar, o Éder se formou, e pela segunda vez. Nem acredito que tenha conseguido tal feito. Não duvidei de sua inteligência e capacidade, isso nunca. Mas para quem abriu mão de estudar para ajudar a família nos momentos mais difíceis, isso foi algo espetacular. Apesar de todos os defeitos, sua força de vontade e persistência é admirável.

A Flávia terminou o ensino médio, como um di…

Driblando o destino

Família indiana morando na Inglaterra tem problemas com a filha que decide quebrar as regras e se tornar uma jogadora de futebol

Esta bem que poderia ser mais uma manchete de jornal que frequentemente lemos nos jornais de todo mundo a cada dia. Mas o trecho acima se refere à uma sinopse cinematográfica de um tema cada vez mais onipresente na sociedade mundial. Meninas que se aventuram no mundo de um esporte que, se não fosse por elas, já teria perdido todo seu encanto dentro e fora das quatro linhas. Enquanto eles deixam de ser desportistas para se tornarem astros milionários (os chamados pop stars da bola), elas seguem na sua saga enfrentando duros adversários, como uma teimosa falta de reconhecimento e um preconceito sem nenhuma explicação plausível.

Quando uma menina decide ser uma atleta, de certo não encontra nenhuma relutância cabal por parte da família. Afinal de contas, esporte é vida, e na maioria das vezes uma solução mais que saudável de se moldar um ser humano. No entanto q…

Réquiem para um Cão

Era mais do que um mero animal. Um irmão, aquele mais novo que não tive humano. Desde o distante 1º de abril de 2001 em que apareceu à trote curto e assustado atrás de meu pai, Nego se tornou mais que um bichinho de estimação. O cachorro negro e esguio venceu a desconfiança da matriarca, que sempre cria algum rebu quando adotamos algum pobre animalzinho, e virou uma espécie de capanga canino do Seu João, meu pai.

Aonde ia João, lá estava Nego. Nas pescarias nas quais faltava peixe, mas não animação, o cão montava guarda para evitar qualquer intempérie que a fauna ribeirinha pode causar a um ser humano. Em pouco tempo se tornou o melhor amigo de meu pai. Eram inseparáveis, um uma espécie de signo indicial do outro. Quando um aparecia, lá vinha o outro logo após. Se não era tratado a pão de ló, sua refeição dominical tinha frango e maionese.

Três anos depois, já havia quebrado o recorde de convivência em nossa casa. A maioria de nossos animais de estimação ou morriam na BR-267, que cort…