sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

SÓCRATES: REBELDE OU HERÓI?


Ele foi um dos grandes exemplares de atletas numa época romântica do nosso futebol. Mais que um talentoso jogador, Sócrates se fez ídolo não só pelos lances geniais e títulos importantes que conquistou ao longo de sua brilhante carreira. Mais que um ídolo, Sócrates era um homem de princípios cristalinos tornando-se um pilar essencial nos tempos difíceis para o país. A chamada Democracia Corintiana no início dos anos 80 teve em suas ideias lúcidas e empreendedoras, a base para a construção da democracia do país. Militante ativo do movimento Diretas Já, não teve medo em ser tachado de anarquista. Não deixou que sua voz se calasse perante a ditadura. A torcida campeã brasileira hoje sente com pesar sua partida. E vibra com a lembrança deixada por um homem que se fez HERÓI de uma enorme nação. Um raro modelo de atleta preocupado com as questões do país. Bem diferente dos astros individualistas que permeiam o mundo do futebol hoje em dia. Astros preocupados apenas com seus egos e em como deixa-los tão inflados quanto suas contas bancárias. Sem nenhuma ideia de comprometimento com o povo e com a torcida brasileira. Mais lamentável que sua partida, é constatar que cada vez mais nos tornamos órfãos destes tipos de desportistas. Atletas que carregam o país até no sobrenome. Viva Sócrates! Viva a democracia! Viva o Brasil!


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O homem que não tinha Facebook

E lá estava eu, naquela indecisão frente à tela inicial de cadastro da rede de relacionamentos que já coletou mais de 800 milhões de pessoas para sua turminha. Sim, falo do Facebook. Antes de arrastar a setinha para o botão que derradeiramente me incluiria no paraíso virtual criado por um grupo de “amigos” envoltos em uma grande novela de litígios judiciais, percebi que estava me traindo. Já que acredito veemente na futilidade de tal interação artificial.

Imaginei tudo o que o enlace poderia me trazer de benefícios, sim, apesar de a maioria dos usuários utilizarem a rede apenas para o cultivo de egos inflados, é uma ferramenta de muita utilidade nestes tempos estranhos. Contratam-se profissionais de mais variadas áreas através dela. É, ela serve para os carrascos de RHs observar a conduta do postulante à vaga de uma empresa. É como se fosse a virtualização da máxima “me diga com quem andas que lhe direi quem és”. Será?

Pois não faz sentido. Nas telas do diário aberto a olhos famintos por saber da vida alheia, são postos a julgamento apenas uma parte do caráter de uma pessoa. A parte boa. É como se todo mundo lá fosse legal. Participam de festas interessantes, postam links de vídeos e músicas pops, trabalham e estudam nas melhores instituições. Um jogo de dados viciados a só darem números pares, um jogo de cara ou coroa onde a cara sempre vence. O ing sem o iang. Uma imagem de um indivíduo verdadeiramente e ao pé da letra virtual.

E o mais triste é pensar que o progenitor de toda essa febre é um cidadão desprovido de caráter (Pelo menos é o que dá pra entender do livro Bilionários por Acaso de Ben Mezrich e adaptado para as telonas em A Rede Social, de David Fincher). Uma pessoa que cria a maior máquina de fazer amigos virtuais, que ironia, perdeu os poucos bons que tinha. Como assim, que mundo apocalíptico é esse? Seremos reduzidos a figuras rotundas e sedentárias que vivem relacionamentos de mentira e ignoramos um bom papo frente a frente?

Tão assustador, tanto que me fez hesitar novamente. Por que preciso disso? Mas aí percebo que no mundo atual não há mais espaços para revoluções solitárias. Quem não se adapta à nova ordem mundial, é candidato ao ostracismo social. Isso não é mais balela de um teórico chato francês, a cibercultura e a “era da mídia” são inevitáveis. O jeito é se render.

Na verdade, o problema é de quem quiser me conhecer na rede. Ali estará um avatar concebido das mais extraordinárias virtudes, um pomo maduro e sem sabor. Terão de se contentar com uma falsa impressão que só mamãe, irmãos e minha noiva conhecem as falhas. Aproveitarei os benefícios que a conexão poderá me trazer, dane-se o resto.

Pressiono a confirmação e recebo as boas-vindas simpáticas do Facebook.