sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Qual Deus é o seu?

Muitos me perguntam sobre minha religião, ou se acredito na existência de Deus. Sempre respondo que religião não me serve de nada e que não acredito em ser supremo que conduz nossos passos pelo mundo, determina quando vai chover ou alguém vai morrer. Porém nunca encontro palavras o suficiente para defender minha tese de que acredito no amor entre as pessoas, e que isso de certa forma é algo divino. Sem precisar de mais nada. Encontrei em um jornal esta semana tudo o que sintetiza o que eu penso em relação ao transcendental, e a forma como devemos encarar a vida e as responsabilidades. Eis as palavras de Baruch Espinoza: 

"Para de rezar e bater no peito! O que quero é que saia pelo mundo e desfrute sua vida. Que goze, cante, se divirta e usufrua tudo o que eu fiz por você. Para de ir a esses templos lúgubres, frios e escuros, que você construiu e crê ser minha casa. Minha casa está nas montanhas, bosques, rios, lagos e prais, onde vivo e expresso meu amor por você. Para de me culpar da sua vida miserável: nunca disse que há algo de mau em você, que é um pecador, que sua sexualidade seja ruim! O sexo é um presente que lhe dei e com o qual pode expressar amor, êxtase e alegria.

Não me culpe pelo que lhe fizeram crer. Para de ler supostas sagradas escrituras, que nada tem haver comigo. Se não me lê num amanhecer, numa paisagem, no olhar de seus amigos, nos olhos de seu filho, não me achará em livro algum! Confie em mim e deixe de me pedir: vai me dizer como fazer meu trabalho? Para de ter medo de mim. Não o julgo, não o critico, não o irrito, incomodo ou castigo. Eu sou puro amor.
           
Para de me pedir perdão. Nada há a perdoar. Se eu o fiz, dotei-o de paixões, de limitações, prazeres, sentimentos, necessidades, incoerências, livre-arbítrio, como posso lhe culpar se responde a algo que pus em você? Crê que criaria um lugar para queimar meus filhos que não se comportem bem, por toda a eternidade? Que tipo de Deus faz isso?
           
Esquece mandamentos e leis; são ardis para manipular e controlar, que só criam culpa. Respeita o próximo e não faça o que não queira para si. Só peço que preste atenção à sua vida, que seu guia seja o estado de alerta. A vida não é uma prova, um degrau, um ensaio ou um prelúdio ao paraíso. A vida é o que há aqui e agora, o que você precisa. Fiz você livre. Não há prêmios, castigos, pecados ou virtudes. Você é absolutamente livre para fazer de sua vida um céu ou um inferno.
           
Não posso dizer o que há após a vida, posso sugerir: viva como se não o houvesse. Como se esta fosse a única chance de gozar, amar e existir. Assim, se não há nada, terá usufruído da chance que lhe deri. Se houver, não vou indagar se se comportou ou não. Vou indagar se gostou, se se divertiu, do que mais gostou, o que aprendeu. Para de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar – e me sinta em você, ao beijar a amada, agasalhar sua filhinha, acaraciar seu cachorro, se banhar no mar.

Para de me louvar!Que Deus acredita que seja? Chateia que me louvem, cansa que agradeçam. Sente-se grato? Prove: cuide de si, da saúde, dos amigos, do mundo! Sente-se olhado, surpreso? Seja alegre, é um jeiro de me louvar. Para de complicar e repetir o que dizem de mim. A única certeza é que você está aqui, vivo, e o mundo é cheio de maravilhas. Para quê milagres? Para quê explicações? Não me procure fora! Não vai me achar. Procura dentro de você, onde estou, tocando-o."
            

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Tensão pré-TCC



Droga de TCC. Onde está... pronto! “Adaptação cinematográfica”, mas onde estava com a cabeça quando escolhi este tema? Deixa pra lá. É só concentrara que sai. Vamo lá. Introdução? Não, vou aproveitar o que eu já fiz no projeto. Vou começar por onde interessa. Cadê o fichamento do Mascarello? Tá aqui aquele artigo legal. Não entendo como eles conseguem publicar estas merdas. Bem, fazer o quê né? “Há muito tempo as adaptações são um... um... um...”, caramba! Que diabo de música é esta? Pronto! Janela fechada, sonzinho irritante terminado, agora sim. Pô, to que nem aqueles filmes do Buster Keaton e do Gordo e o Magro, nunca consigo começar a fazer o que quero. Mas aquele do piano, como é que chama mesmo? Ah, Entrega a domicílio. Engraçado pra caralho. Foda. Bom, mas aonde eu estava... Quem será que inventou que para se formar tem de fazer TCC? Deve ter sido aqueles nerds do tempo do onça. Voltando! Eu poderia falar da primeira adaptação, qual foi mesmo? Vinte mil léguas submarinas? Tem que ver naquele livro de novo. Pelo menos a melhor eu sei, com certeza é O Poderoso chefão. Também o roteiro foi escrito com a ajuda do autor. E o Marlon Brando com aquela bochechona, a melhor atuação que eu já vi. Meu deus! Não consigo concentrar. Já sei o que eu vou fazer. Vou assistir este Taxi driver e depois me viro.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Pretérito imperfeito


Queria ter sido Judas e ter recusado aquelas moedas

Queria ter sido Airton Senna e ter freado antes da Tamborello

Queria ter sido Hitler e ter desistido de todos os planos

Queria ter sido Armstrong e ter contado a verdade sobre a lua

Queria ter sido Pier Angeli e ter me casado com James Dean

Queria ter sido Lee Harvey Oswald e ter errado o tiro

Queria ter sido Michael Jackson e ter feito um tratamento

Queria ter sido Stanley Kubrick e ter recusado dirigir Spartacus

Queria ter sido Isaac Newton e ter ignorado a maçã

Queria ter sido João Goulart e ter evitado o golpe militar

Queria ter sido John Lennon e ter ficado em casa aquele dia

Queria ter sido Daniela Perez e ter falado com a polícia

Queria ter sido Barbosa e ter defendido o chute de Gighia

Queria ter sido Albert Einstein e ter esquecido a teoria da relatividade

Queria ter sido Raul Seixas e ter parado de beber

Queria ter sido meu pai e ter para de fumar aos vinte anos

Queria ter sido Eva e ter dito não à serpente

Queria ter sido várias pessoas e ter mudado o mundo

Mas provavelmente não estaria aqui agora

O que aconteceu não pode ser desfeito

Melhor assim.

terça-feira, 15 de maio de 2012

MÃE


Parece que foi ontem a primeira vez que olhei dentro de seus olhos e vi um pedaço de minha alma. Descobri o meu porto seguro, onde estaria protegido de tudo e todos. Cresci aprendendo o que era certo e o que era errado, mesmo que o errado fosse certo e o certo errado. Cultivei valores virtuosos e virtuosidades valorosas. Mas aos poucos fui entendendo que éramos pessoas diferentes. Tinha meus próprios conceitos sobre o maniqueísmo em que naturalmente somos obrigados a enfrentar. Percebi que nem tudo o que me dissera era um axioma de sabedoria e havia vários aspectos que se distanciavam da verdade.

Quanto mais ia adentrando minha adolescência, desenvolvia uma opinião própria e segura. Porém, evitava o confronto com seu misticismo, achava que consentindo com suas afirmações estava mantendo o respeito para com sua pessoa. Mas o tempo avançou e finalmente concretizei a minha personalidade, escancarei minhas preferências. Revelei que não gostava de novelas, preferia os filmes. Comecei a falar mal do time do Flamengo, coisa que você não suporta. Admiti que não acreditava na existência de Deus, e desisti de rezar, enquanto toda sua vida se baseia na fé.

Porém, acabei me surpreendendo. Você, apesar dos resmungos, aceitou as minhas opiniões. Comecei a perceber que não apenas eu havia evoluído, mas você também. Depois de ter enfrentado períodos em que nossos recursos eram quase nulos, soube aproveitar a bonança vinda dos esforços de meu irmão, e de uma semi-aposentadoria de meu pai. Entretanto as nuvens negras voltaram. Enquanto perdi meu querido pai, você perdeu mais que um marido, um companheiro de toda uma vida. E da forma mais triste, pois ficou sem ter possibilidade de ajuda-lo. Mas você não se dá por vencida. Conseguiu, a muito custo, passar por tudo. E hoje, é muito mais forte do que aquela mulher que olhei nos olhos quando criança.

Pode ser que não tenha tido a oportunidade de te ajudar nos momentos difíceis como meu irmão ajudou, ou lhe feito companhia nas horas mais obscuras como minha irmã o fez. Porém, tenho orgulho de ser aquele que sempre te ouviu. Quando brigou com sua cunhada, lá estava eu. Quando teve de bater de frente com nossos vizinhos, ouvia seus desabafos. Hoje, percebo que sou mais parecido com você do que imaginava. Não sou de levar desaforo para casa e aprecio cada minuto ao lado das pessoas que amo.

Se acertamos ou erramos, isso pouco importa. O que sei é que se nascer novamente, e tiver que passar por tudo o que passei, aceito com uma simples condição, que minha mãe seja você Dona Neuza.

TE AMO


quinta-feira, 3 de maio de 2012

E QUANDO SENNA SAIU DE CENA...


...Deixou o dia primeiro de Maio muito mais soturno. Uma data comemorativa para todos os trabalhadores brasileiros perdeu um pouco do sentido depois que o país acordou chorando naquele Domingo triste. Ali, naquela fatídica curva tamborello na Itália, se foi com ele todas nossas esperanças.

..Imortalizou as lembranças de um homem que se tornou ídolo pela simplicidade e altruísmo. Qualidades que o fizeram transitar para o status de herói. Um esportista que tinha no sangue o talento para correr e uma força de caráter incomum no mundo bilionário da Fórmula 1.

...Levou consigo uma valorosa época em que o homem dominava a máquina e conquistava no braço o posto de grande esportista. Bem diferente do que acontece nos dias atuais, onde a máquina comanda o circo da competição.

..Foi-se um ídolo que empunhava mais que a bandeira brasileira a cada vitória. Empunhava o orgulho ferido de uma nação carente de grandes valores individuais no esporte. Elevava a admiração que o mundo um dia teve para com nossos ídolos no automobilismo. Recuperava um pouco da dignidade de nosso povo.

A morte acidental de Senna chega à maioridade ainda nos causando uma dor imatura que insiste em não cicatrizar. Uma tristeza que insiste em nos deixar cada vez mais vazios. Uma solidão inveterada no mundo do esportivo.

Ayrton, um homem, Senna, um ídolo, da Silva, um irmão. Todos eles imortalizados em nossos corações.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Antissocial

Depois de alguns segundos ele saiu do carro. Jamais pensou que veria aquelas pessoas novamente. Logo na portaria do salão de festas que correspondia ao convite. Suava como nunca apertado em um terno que odiava usar, e um sapato cor-de-burro-quando-foge, que só havia usado na formatura, 10 anos atrás. Era dezembro e o calor, que odiava mortalmente ainda mais depois que fora morar na França, parecia milhares de vezes maior do que se lembrava. Assim que acabou de adentrar à festa, decidiu ficar na penumbra por alguns momentos para analisar sua antiga turma.

Imaginou tudo o que poderia ter acontecido com seus antigos colegas. Sua visão era perfeita. As meninas que gostavam de aparecer continuavam a tentar ser o centro das atenções. Aquelas que se achavam superiores, as metidas a besta, se isolavam e se contorciam em gargalhadas esteriotipadas. Os rapazes, aqueles playboizinhos ainda conservavam sua imbecilidade, atestada pelo modo como dançavam. Aqueles que eram mais próximos, e que de certa forma mantinha amizade, pareciam diferentes em corpo e alma. Algumas pessoas ele não conhecia. Seriam namorados? Esposas? Ou aqueles que não lembrava? Deixou pra lá.

Pegou uma taça de uma bebida estranha que o garçom levava para a pista de dança. Ficou imaginando o que aconteceria quando sua presença fosse percebida. A maioria iriam puxar conversa e perguntar como era morar no exterior, ou tentariam trocar suas experiências morando fora, já que não era o único. Alguns pediriam um contato na Tv onde trabalhava. Solicitariam sua amizade no Faceboogle (a fusão do Facebook com o Google). Deu um sorriso de canto de boca, virou as costas e foi embora.

Chegando no hotel onde se hospedara, sua esposa estranhou a hora que voltou. Entretanto não disse nada. Sabia que não seria desta vez que deixaria de ser antissocial. Ele se sentou em frente ao seu notebook e postou as fotos que havia tirado, de seu refúgio, com a simples intenção de não deixar seus ex-colegas esquecerem de quem ele era. Digitou um único comentário:
QUEM SABE NA DE 20 ANOS.
 

domingo, 25 de março de 2012

Os Homens do Futuro




O jovem havia entrado naquele barulhento ônibus que já deixava para trás o distrito em que foi criado. Estava ansioso pois estava indo encontrar com a garota por quem estava apaixonado. Era a primeira vez que conversariam de uma forma mais íntima. Quando marcou o encontro pensou que talvez ela desistisse, se daria conta de que era demais para aquele rapaz quase sem graça. Mesmo assim confirmou, e parecia que estava mesmo afim de responder aos seus sentimentos.

Não se lembra muito bem de como aconteceu, mas de repente se viu em um cenário estranho, parecia a sua casa, porém com aspectos que não reconhecia. Olhou a sua volta se entender nada, tentava gritar, mas não conseguia. Tentou correr, não moveu nem um centímetro. Quando se desesperou, finalmente um sinal de vida entrava pelos seus ouvidos.
_ Você está em seu sonho.
Uma figura saiu das sombras e se aproximou. O jovem olhou assustado, era ele mesmo quem estava à sua frente. Um pouco mais gordo, com um sorriso estampado no rosto.
_ Quem é você? – não se conteve em perguntar.
_ Sou você daqui a sete anos.
_ Mas como?
_ É um reflexo futuro condicionado. Uma espécie de previsão do futuro através de um sonho.
_ O que faz aqui?
_ Vim garantir que faça a coisa certa.
_ E qual é?
_ Não deixar que desista de encontrar com ela. Sei que está inseguro, mas acredite, vai dar tudo certo.
_ Será? Ela é demais para mim, ou nós.
_ Não. Ela é feita para nós como somos para ela.
_ Como é nosso futuro?
_ Passamos por momentos difíceis, mas enfrentaremos juntos. Só estamos fazendo o que gostamos por que ela acredita e nos faz acreditar em si mesmo. Quando tivemos dúvidas, ela indicou o caminho. Estará sempre ao nosso lado no momento mais difícil que enfrentaremos daqui a alguns meses. Seremos companheiros na alegria, na tristeza, com dinheiro ou sem.
_ Mas temos dinheiro?
_ Bem, terão que trabalhar bastante. Ela já está seguindo seu caminho e você batalhando para alcançar. Mas estamos na trilha certa.
_ E se eu desistir?
_ Por isso eu trouxe ele.
Das sombras sai uma outra versão dele mesmo. Porém era diferente do outro. Carregava consigo um semblante pesado e triste.
_ Você também é eu?
_ Sim, de uma versão alternativa de futuro. Sou fruto de sua desistência em encontrar com ela.
_ E como é?
_ Somos formados em química e ganhamos dinheiro, mas odiamos a profissão. Não tivemos coragem de fazer o que gostávamos, sempre ouvindo que não teríamos onde trabalhar. Sacamos tudo de cinema, mas ninguém sabe, pois o medo de acharem nossa crítica de baixo nível. Ainda sofremos com a perda de um ente querido, por que ninguém nos deu suporte para superar. Nos envolvemos com garotas vazias e sem perspectivas, e até hoje nos arrependemos de não ter ido neste encontro.

O jovem ficou olhando para seus dois futuros. Os dois se afastavam e entravam nas sombras enquanto sua vista ficava embaraçada. De súbito acordou. Ficou alguns minutos refletindo sobre o sonho esquisito que teve. Quando o ônibus parou em um ponto antes do qual deveria descer titubeou, pensou em descer e desistir de tudo. Ela se decepcionaria com que ele era. Não tinha nada a oferecer, além de tudo tinha uma personalidade difícil.

Naquele instante pesou na balança sobre o seu sonho. Imaginou se tudo era verdade. Decidiu seguir em frente, e mesmo que aquele presságio fosse apenas um sonho maluco, deixou a insegurança para trás e seguiu seu coração.

Sete anos depois ele escreveu este texto, e a única certeza que tem é que valeu a pena seguir seu coração. E depois de tantos momentos difíceis, sabe que só é feliz por que ela está ao seu lado.

Te amo Bárbara e obrigado por estar sempre ao meu lado.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Feliz dia Internacional da Mulher


Não existe homem sem a mulher. A dependência começa no berço e se estende até o fim da vida. Algum que não tenha em sua rotina um contato de importância elevada com alguma mulher que seja com certeza não é um ser humano normal. Elas vão dominar o mundo, dizem, mas duvido muito. O afeto e a solidariedade as fazem compartilhar, e não tomar, o posto de ser dominante. Lutaram desde meados século XX para deixarem de ser recessivas, não para virar a mesa, invertendo a equação preconceituosa que predominou por eras no planeta Terra.


Não teria vindo ao mundo se a Dona Neuza não tivesse me concebido. Com ela dei os primeiros passos, aprendi o que é certo e errado, mesmo que o errado não fosse totalmente errado. Através de suas crenças e convicções fez de mim uma criança que cresceu sendo elogiado pela conduta impar. Quando já adulto, percebi que ela não era a dona da verdade, mas a verdade que ela transmitia, era benfazeja e cheia de intenções amorosas. Mesmo que tenha opinião formada, e muitas vezes, contrárias às suas, não há tensão, pois ela sabe que fez um bom trabalho e traçou-me um caminho idôneo.

Não teria me empenhado em me tornar bom em tudo que faço se a Flávia não tivesse me inspirado. Ela sempre foi a melhor na escola, em saber das coisas. Foi uma professora especial que me conduziu por uma infância difícil, compactuando com minhas bobagens infantis, não permitindo que eu deixasse a minha mente fértil sucumbir ao cansaço da labuta diária na roça. Juntou-se a mim no amor pela sétima arte e respeita minhas opiniões tanto quanto admiro suas análises abrangentes sobre uma peça cinematográfica.

Não teria chegado onde estou hoje se não fosse pela Bárbara. Ela entrou na minha vida pouco antes de uma transição dolorosa ter ocorrido. A morte de meu pai abalou nossa família de uma forma terrível e coube a mim ser o braço forte que amparou a todos. Mesmo sendo o mais jovens, consegui ser o mais lúcido. Mas enquanto consolava os outros, Bárbara me dava o apoio que precisava. Quando a tempestade passou, me mostrou o caminho da bonança, e quando eu mesmo não acreditava em meu potencial, foi a primeira a levantar meu astral e fazer com que enxergasse o que eu era, e o que posso ser. Se estou a formar em uma faculdade, é tudo fruto de sua perseverança quase transcendental.

A todas as mulheres do mundo, aceitem esta declaração de amor às mulheres de minha vida como um elogio a todas vocês, e acreditem: Nenhum homem viveu e jamais viverá sem que uma mulher esteja lhe dando algum tipo de apoio. Um dia, nosso planeta será igual, sem que ninguém fique em baixo ou em cima, apenas lado a lado.

Dedicado a Neuza, minha mãe, à minha irmã Flávia e à minha noiva Bárbara, as mulheres e amores de minha vida.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Seus vinte e poucos


No último dia 20, alguém fez aniversário. Sim, e é uma pessoa muito especial em minha vida. Seria impossível transcrever o que de relevante fez em minha trajetória desde o não tão distante 25 de março de 2005. Mas posso apontar as coisas que me encantaram. Talvez seja um pouco convencional o fazer em prosa, mesmo não sendo minha especialidade vou tentar falar dela assim:

Luz de minha vida de exuberância plena

Em teu seio minha existência entrou em riste

Se sem seu amparo me encontro triste

Felicito-me de sua dignidade helena

Meus anseios por ti retumbam

Ora poia, se tu me destes outrora

Aquele brio maravilhoso do presente da aurora

Sem nada a querer em troca

Somente o gozo da vida intensa lhe flutuam

Através de seus olhos aprendi o amor

Através de suas palavras aprendi a enfrentar

Através de suas ações aflorei meu fervor

Através de seu calor aceito o mundo acabar

Nesses vinte e poucos em que se encontra

Desejo que seu mundo possa lhe dar

Coisas que não posso me dar conta

E posso simplesmente te amar e amar

Feliz aniversário meu amor!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A primeira professora


Muitos dizem que sei de tudo, que sou uma enciclopédia ambulante, e até me apelidaram de Google. De fato, modéstia à parte, possuo um conhecimento acima da média para uma pessoa de minha idade. Sei muitas coisas dispensáveis à maioria dos seres humanos, e que em grande parte não farão diferença alguma em minha vida. Esta sabedoria me fez interessar pelas luas de saturno, os esquadrões mais poderosos das história do futebol, grandes movimentos cinematográficos, acontecimentos históricos diversos. Tenho argumento para me manter em debates sobre política, costumes, arte e até religião. Confesso que, como todo mundo, tenho uma fraqueza, a música. Mas isto é outra história. Toda esse meu currículo foi apenas para falar sobre a pessoa responsável por esta gana no saber. Alguém que adorava ser uma professora por diversão e ocasião. Um gênio, escreve como ninguém, e quando estudava era sempre a número um. Seus boletins escolares gabados aos quatro cantos por minha mãe me despertava uma inveja (boa) de querer ser aquilo tudo também. Seus ensinamentos, que além da sinopse bem arquitetada de suas aulas, eram de como armazenar o conhecimento e fazer uso dele quando o apuro nos forçar. Não, ela não me ensinou tudo o que sei. Mas pelo seus olhos pude enxergar a realidade do nosso mundo, e aprendi que mesmo sendo o primeiro da classe, isso não garantiria meu futuro. Sinto não vê-la como uma professora formada. Mas sacrificou uma brilhante carreira para ser companheira de nossa mãe. Entretanto ainda aguardo o momento em que realizará seus sonhos, e poderá usar todo o conhecimento que acumulou em seus recém-completos 32 anos. Estarei lá para bater palmas e prestigiá-la. E se por acaso este dia não acontecer, será sempre a minha primeira e melhor professora, minha advogada dentro de minha casa, uma pessoa incrível que me ensinou o que eu mais precisava aprender. Aprender. Obrigado, minha amiga, minha professora, minha irmã.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Menos o Paulo que estava no mundo real


De repente me pego pensando o porquê de nossa geração ser tão estúpida. Imagino os estudantes que enfrentavam o poder da ditadura nos anos 70 e 80. E quando digo minha geração, é uma alusão mais ampla das pessoas com menos de 30, já institucionalizadas pelas ferramentas da cibercultura. Hoje crianças com 12, 13 anos não sabem, e tem raiva de quem sabe, brincar de pique-esconde, pega-pega, preferem fingir a idade e se atracar em lábios alheios pelas ruas. Nem tem a consciência de que pai e mãe não são avatares do The Sims, onde podem apenas ignorar e maltratar, ou delatar se assim achar de direito.
Os adolescentes em seu auge, aqueles com os 15/16 anos, são seres bizarros que conversam um idioma próprio e fazem questão de não se misturar com pessoas que não correspondem às suas peculiaridades. Ouvir um grupinho deles conversando é muito pior do que ouvir asnos em coito. Falam barbaridades, inventam absurdos, juram inverdades, pintam o diabo com o único intuito de se dar bem, claro, com o sexo oposto, ou semelhante, tanto faz, para trocar saliva e iniciarem a vida sexual. De útil mesmo, nada.
Os pós-adolescentes, dos 18 a até quando a maturidade resolver aflorar, vivem de ilusões e pseudo-revoluções. Sitiam uma Universidade para protestar contra a ação abusiva do poder por parte dos altos escalões nacionais. Ora bolas, só querem fumar, cheirar ou fazer lá o quê com drogas sem serem incomodados. Pois são filhos do fulano, neto do sicrano, intimidam as autoridades com o já batido "sabe de quem sou filho". Uma vergonha falar isso. A frase só prova o quanto esses são inferiores às gerações passadas. Os pais ou avós trabalharam para os filhinhos brincarem de revolução.
Porém, cheguei a pensar que tudo isso não passa de lamúrias de um antissocial, que por falta de condição, e por opção mesmo, fica à margem do controle cerebral imposto pela imposto pela nova sociedade informatizada. Mas, infelizmente um fato veio a confirmar tudo o que eu falei. Zapeando pelos canais da decadente TV aberta vi uma jovem, assessorada pelo pai que falava sobre ela escolher ser o que quiser. Depois, imagens de centenas de pessoas cercando a jovem no aeroporto, escoltada por policiais. Quem era? Uma jovem atriz que fazia novela das oito, pensei, ainda que também fosse exagerado.
Quando soube do motivo do alvoroço fiquei pasmo. Não conseguia acreditar que toda a histeria se dava por uma simples frase, dita em um comercial de uma TV nordestina. Depois imagens de personalidades de tudo quanto é meio parafraseando o ator do comercial, que por sinal é o pai da moça. Fiquei sem ação. A situação me fez considerar a possibilidade de os BBBs serem mesmo alguma coisa. Uma garota que não fez nada. Como assim? Cogitando ser atriz e apresentadora por uma frase. O que aconteceria se o Mahatma Ghandi, se vivo óbvio, resolvesse desembarcar em solo brasileiro? Será que as redes sociais se manifestariam? Poderia ser rei, já que ele sim fez algo de útil à civilização.
Sim, nossa geração tem miolo mole. A situação atual me faz invejar os torturados da época da ditadura, os exilados, os guerrilheiros. Tá bom, não preciso ser tão exagerado. Invejo simplesmente os jovens que naquela época desejavam ser reconhecidos em alguma profissão, ou em algum dom artístico. Que estudavam, e iam às noites boêmias viver uma rede social verdadeira. Invejo o personagem de Allen em Meia-Noite em Paris, que podia voltar ao tempo e conhecer revolucionários de verdade, pessoas que por seus ideais valiam a pena serem cultuados.
Pois bem, sei que tô pregando no deserto. Sou sempre motivo de chacota. Sei que quando a discussão sobre a estupidez do episódio da menina que estava no Canadá for colocado em pauta, serei tachado de careta e retrógrado. Sei que todo mundo vai dizer que curtiu o assunto. Claro, menos eu que estava no mundo real. Fazer o quê?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Entrevista com o mendigo


Ele chegou e se sentou, pediu permissão para falar como fossemos eu e minha noiva autoridades daquele local. Logo que começou a falar se mostrou muito irritado com o pedinte que havia passado por nós segundos antes. “Vagabundo”, dizia em tom de revolta, reforçando com negativas com a cabeça. Puxou assunto. Começou dizendo que um homem precisa ter vergonha na cara, tinha que trabalhar. Morava na rua, mas trabalhava, não precisava pedir na da para os outros. Para provar abriu sua crteira, mostrou entre papeis amassados e notas sujas, um cartão do bolsa família. “Tenho meu dinheiro, vê se aquele vagabundo tem”. Afirmou que ajudava seu amigo, que se encontrava desmaiado no banco ao lado, que era doente, e “às vezes dá uns ataques”. Foi sincero em admitir que havia perdido tudo por causa da cachaça, pediu novamente permissão, desta vez para acender um cigarro. Enquanto tragava, falou de sua filha, e de como a degradação de sua vida através do álcool o fez morador de rua. Pediu licença, sorrindo pegou a garrafinha de pinga que estava dentro de uma sacola preta, bebeu, “vão chapar?”, sob nossas negativas voltou e continuou. Chorou ao lembrar que não havia perdido a fé, eram lágrimas sinceras, “rezo pela minha filha, meu amigo, por nós todos”, e por alguns instantes se calou. Perguntei se já tinha pensado em sair das ruas, e a resposta foi um sim indeciso. Minha noiva falou-lhe sobre o A.A, e novamente a sinceridade falou por ele, “o que adianta ir lá, se depois volto e bebo. Só melhora quem quer”. Quando perguntei sobre como era tratado em repartições públicas, foi enfático ao elogiar todos, desde a câmara ao posto de saúde. De repente mudou de assunto. Contou de seu problema de saúde, um buraco horrível em suas costas, que fez questão de nos mostrar, que dizia ser oriundo de uma facada mal curada. Iria ao Ascomcer fazer um enxerto. Novamente mudou a direção do papo, falou dos problemas da madrugada e contou casos curiosos. Minha noiva perguntou se tinha muitos perigos, disse “que não tenho medo de ninguém”. Falei sobre o problemas dos viciados, ele respondeu “esses malandros tem medo de mim”, e contou mais de suas aventuras pela madrugada, de como ajudou a polícia a prender um traficante, da mulher que faz ele ter que dormir no parque, “ela fica fazendo escândalo lá na Mister Moore, aí os moradores chamam a polícia. Para não ter que dar uma nela, venho dormir aqui.” As pessoas passavam e olhavam com aquele um ar de espanto, e nós nem nos importávamos. Minha noiva colocou todo seu dote como psicóloga para tentar arrancar o máximo que podia, eu agia da forma como tenho aprendido na faculdade. Fizemos uma pequena entrevista, muito interessante pelo lado humanístico dos moradores de rua. Uma chance de poder enxergar fantasmas da sociedade, e mesmo não saindo em um grande jornal, foi um aprendizado inestimável. Mesmo a contragosto tivemos de ir embora, pois estava chegando aquele momento em que “as ruas de Juiz de Fora à noite não são boas para ficar andando”, finalizou.

Em homenagem ao Sr. Walmir.