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À flor da pele

E decidiu provar para todos que estavam errados. Não era a pessoa estressada que diziam e nem dava chiliques. Ora bolas. Sua esposa sempre o repreendendo, o que são alguns pratos? Aproveitou o dia de folga dado pelo seu patrão, “para relaxar”, disse com aquela cara de bosta que o deixava ainda mais antipático. Queria ver dar aquele sorriso de canto de boca se lhe desse um ..... Pronto, parei. Não preciso ficar irritado. Pegou a vassoura e resolveu limpar a casa. Maldita mesa, devia ter comprado uma maior. Pronto, tudo limpo, ou quase, tá certo, tava uma merda. Deu de ombros, não iria se estressar. Sentou-se para ver TV. O enfado posou lhe aos olhos, nada de bom nos canais abertos, este filme já vi, pra quê pago esta porra de assinatura se os melhores filmes passam de madrugada? Colocou nos esportes. Segunda-feira, só tem futebol americano, inferno, futebol jogado com a mão não é futebol. Americanos estúpidos. Desligou a TV. Comeu o resto do almoço de domingo, bebeu um refrigerante ...

Qual Deus é o seu?

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Muitos me perguntam sobre minha religião, ou se acredito na existência de Deus. Sempre respondo que religião não me serve de nada e que não acredito em ser supremo que conduz nossos passos pelo mundo, determina quando vai chover ou alguém vai morrer. Porém nunca encontro palavras o suficiente para defender minha tese de que acredito no amor entre as pessoas, e que isso de certa forma é algo divino. Sem precisar de mais nada. Encontrei em um jornal esta semana tudo o que sintetiza o que eu penso em relação ao transcendental, e a forma como devemos encarar a vida e as responsabilidades. Eis as palavras de Baruch Espinoza:  "Para de rezar e bater no peito! O que quero é que saia pelo mundo e desfrute sua vida. Que goze, cante, se divirta e usufrua tudo o que eu fiz por você. Para de ir a esses templos lúgubres, frios e escuros, que você construiu e crê ser minha casa. Minha casa está nas montanhas, bosques, rios, lagos e prais, onde vivo e expresso meu amor por você. Para de m...

Tensão pré-TCC

Droga de TCC. Onde está... pronto! “Adaptação cinematográfica”, mas onde estava com a cabeça quando escolhi este tema? Deixa pra lá. É só concentrara que sai. Vamo lá. Introdução? Não, vou aproveitar o que eu já fiz no projeto. Vou começar por onde interessa. Cadê o fichamento do Mascarello? Tá aqui aquele artigo legal. Não entendo como eles conseguem publicar estas merdas. Bem, fazer o quê né? “Há muito tempo as adaptações são um... um... um...”, caramba! Que diabo de música é esta? Pronto! Janela fechada, sonzinho irritante terminado, agora sim. Pô, to que nem aqueles filmes do Buster Keaton e do Gordo e o Magro, nunca consigo começar a fazer o que quero. Mas aquele do piano, como é que chama mesmo? Ah, Entrega a domicílio . Engraçado pra caralho. Foda. Bom, mas aonde eu estava... Quem será que inventou que para se formar tem de fazer TCC? Deve ter sido aqueles nerds do tempo do onça. Voltando! Eu poderia falar da primeira adaptação, qual foi mesmo? Vinte mil léguas submarinas ...

Pretérito imperfeito

Queria ter sido Judas e ter recusado aquelas moedas Queria ter sido Airton Senna e ter freado antes da Tamborello Queria ter sido Hitler e ter desistido de todos os planos Queria ter sido Armstrong e ter contado a verdade sobre a lua Queria ter sido Pier Angeli e ter me casado com James Dean Queria ter sido Lee Harvey Oswald e ter errado o tiro Queria ter sido Michael Jackson e ter feito um tratamento Queria ter sido Stanley Kubrick e ter recusado dirigir Spartacus Queria ter sido Isaac Newton e ter ignorado a maçã Queria ter sido João Goulart e ter evitado o golpe militar Queria ter sido John Lennon e ter ficado em casa aquele dia Queria ter sido Daniela Perez e ter falado com a polícia Queria ter sido Barbosa e ter defendido o chute de Gighia Queria ter sido Albert Einstein e ter esquecido a teoria da relatividade Queria ter sido Raul Seixas e ter parado de beber Queria ter sido meu pai e ter para de fumar aos vinte anos...

MÃE

Parece que foi ontem a primeira vez que olhei dentro de seus olhos e vi um pedaço de minha alma. Descobri o meu porto seguro, onde estaria protegido de tudo e todos. Cresci aprendendo o que era certo e o que era errado, mesmo que o errado fosse certo e o certo errado. Cultivei valores virtuosos e virtuosidades valorosas. Mas aos poucos fui entendendo que éramos pessoas diferentes. Tinha meus próprios conceitos sobre o maniqueísmo em que naturalmente somos obrigados a enfrentar. Percebi que nem tudo o que me dissera era um axioma de sabedoria e havia vários aspectos que se distanciavam da verdade. Quanto mais ia adentrando minha adolescência, desenvolvia uma opinião própria e segura. Porém, evitava o confronto com seu misticismo, achava que consentindo com suas afirmações estava mantendo o respeito para com sua pessoa. Mas o tempo avançou e finalmente concretizei a minha personalidade, escancarei minhas preferências. Revelei que não gostava de novelas, preferia os filmes. Comecei a fa...

E QUANDO SENNA SAIU DE CENA...

.. .D eixou o dia primeiro de Maio muito mais soturno. Uma data comemorativa para todos os trabalhadores brasileiros perdeu um pouco do sentido depois que o país acordou chorando naquele Domingo triste. Ali, naquela fatídica curva tamborello na Itália, se foi com ele todas nossas esperanças. ..Imortalizou as lembranças de um homem que se tornou ídolo pela simplicidade e altruísmo. Qualidades que o fizeram transitar para o status de herói. Um esportista que tinha no sangue o talento para correr e uma força de caráter incomum no mundo bilionário da Fórmula 1. ...Levou consigo uma valorosa época em que o homem dominava a máquina e conquistava no braço o posto de grande esportista. Bem diferente do que acontece nos dias atuais, onde a máquina comanda o circo da competição. ..Foi-se um ídolo que empunhava mais que a bandeira brasileira a cada vitória. Empunhava o orgulho ferido de uma nação carente de grandes valores individuais no esporte. Elevava a admiração que o mundo um...

Antissocial

Depois de alguns segundos ele saiu do carro. Jamais pensou que veria aquelas pessoas novamente. Logo na portaria do salão de festas que correspondia ao convite. Suava como nunca apertado em um terno que odiava usar, e um sapato cor-de-burro-quando-foge, que só havia usado na formatura, 10 anos atrás. Era dezembro e o calor, que odiava mortalmente ainda mais depois que fora morar na França, parecia milhares de vezes maior do que se lembrava. Assim que acabou de adentrar à festa, decidiu ficar na penumbra por alguns momentos para analisar sua antiga turma. Imaginou tudo o que poderia ter acontecido com seus antigos colegas. Sua visão era perfeita. As meninas que gostavam de aparecer continuavam a tentar ser o centro das atenções. Aquelas que se achavam superiores, as metidas a besta, se isolavam e se contorciam em gargalhadas esteriotipadas. Os rapazes, aqueles playboizinhos ainda conservavam sua imbecilidade, atestada pelo modo como dançavam. Aqueles que eram mais próximos, e que d...