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Um pouco sobre minha Mãe

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Neuza Maria da Silva tem uma vida boa hoje, compra o que quer, come o quer, fala o que quer. Mas, se contar tudo que passou para chegar a sua pacata vida no vilarejo de Manejo, em Lima Duarte, talvez dê um livro. Mas, vou tentar resumir um pouco segundo seus próprios relatos.  Neuza sempre foi trabalhadora, e aos 9 anos já trabalhava em casa de família, na casa de um alemão. Lá viveu algumas experiência que a ajudariam a se tornar um futura mulher forte e aguerrida. A primeira delas foi um acidente de carro, do qual até hoje carrega uma cicatriz, que, toda vez que a olho ou acaricio sinto um certo temor por ter sido impedido de ser seu filho pela imprudência de um motorista bêbado. Dormia em uma cama com suas duas irmãs e uma adorável porquinha. Na alta juventude, foi morar no Manejo com sua irmã mais velha, bem mais velha aliás, a qual considerava como uma mãe, já que esta a deixou ainda em sua tenra idade. Nessa época conheceu o João, sujeito malandro metido em uma cal...

Crônicas da saudade: Tudo aquilo que não vivemos

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Ah, como estou com saudade! Lembra daquele dia, em que o Flamengo ganhou do Vasco na final da Copa do Brasil? Até hoje morro de rir dos nossos vizinhos irritados com os foguetes de três tiros que insistiu em soltar depois da meia-noite. Só não foi mais louco que aquele dia do título brasileiro de 2009. Nossa, como a gente gritou na rua, como um bando de gente doido. Nossa, parece que foi ontem... E o dia em que a Flávia concluiu o terceiro ano. Nossa, você quase chorou de tanto orgulho, já que sempre quis que ela terminasse os estudos, pois você adorava se gabar com todo mundo  que sua filha era a mais inteligente da comunidade. Lembro direitinho no dia em que ela nos mostrou as notas do ENEM. Primeiramente você não entendeu o que tudo aquilo significava, mas quando lhe disse que 100 pontos (!!!) em uma redação de nível nacional era um absurdo, correu para a venda comprar um frango pra janta. Comemos até ter de tomar bicarbonato depois. Sem esquecer da formatura do Ede...

Crônicas da saudade: 19:44

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Era uma quarta-feira. Cansado depois de mais uma noite de serviço no 10º Batalhão de Infantaria, precisava demais de descanso. A cabeça estava a mil. Naquele dia havia descoberto que meu pai estava com câncer e que um de seus pulmões já não funcionava mais. Lembro que meu irmão disse mais uma dezena de frases sobre o tratamento, mas não ouvi mais nada. Apenas equacionei algo que sempre pensei depois que esta doença (que dizem para não falar o nome) começou a matar mais que a Aids os famosos dos noticiários, que câncer + pobre = morte. Ao ouvir a deliciosa melodia que marcava o final do expediente, coloquei uma mochila nas costas e fui para casa de meus amigos. A casa da Dorvalina e seus filhos sempre foi para mim uma segunda casa, onde sempre fui tratado com carinho e amizade, como parte da família mesmo. Pouco disse depois que cheguei. Ainda não tinha forças para dizer aquela notícia sem chorar. Não queria chorar, tinha de ser o forte, aquele que ampararia todos quando o mome...

Crônicas da saudade: O adeus à terra encantada

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Aquela sexta-feira foi diferente. Anormal para alguém que raras vezes passava mal. O ar lhe faltava e a gripe anunciada aos familiares estava mais forte do que pensava, aliás, jamais havia se sentido tão combalido. Filhos e esposa estavam assustados, devido nunca terem visto fraquejar frente a nada. A dor nas costas também o incomodava. A decisão foi difícil, porém inevitável.  Levantou-se da cama, começou a se trocar, se sentiu tonto, sentou-se.  Dona Neuza entrou em uma roupa com tanta rapidez que nem ele percebeu quando a esposa o apressou para não perder o ônibus. Saíram pelos fundos, para evitar olhares curiosos. Dona Neuza sempre foi contra dar satisfações de sua vida para o outros. Não conseguiram fazer com que seu fiel cão de estimação ficasse para trás. Na caminhada da casa até o ponto do ônibus, que era curta, porém naquele momento lhe pareceu uma eternidade, se lembrou de grandes histórias que viveu em sua terra encantada. O Manejo era seu reduto, onde se...

Às mulheres de minha vida

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Sabe, quando era criança, sempre me perguntei por qual motivo deveria existir o Dia Internacional da Mulher. Ficava indignado mesmo, ouvia minha mãe e minha irmã se sentirem especiais naquele dia e me surpreendia com uma inveja tola. Com o passar dos anos, cresci lendo, vendo e sentindo o motivo da importância de tal dia. Hoje, relembrando minha trajetória e minhas vitórias, percebo que todas estão ligadas às mulheres de minha vida, aquelas que com uma palavra ou gesto conseguiram me direcionar ao caminho de homem feliz que sigo atualmente. Por tudo isso agradeço: À minha mãe, Dona Neuza, mulher que não aparenta, mas é de uma força extraordinária, que soube vencer todas adversidades e fazer com que eu me tornasse uma pessoa respeitável e respeitadora.  À minha irmã Flavia, que foi minha primeira grande amiga, minha primeira professora, e que sempre esteve do meu lado quando estive certo e errado. À minha professora do pré-escolar, Jane, sim, pois com sua bondade e ...

A primeira vez ninguém esquece

Ah! A primeira vez. Pode parecer clichê, frase feita que sai naturalmente, mas mesmo piegas, é a mais pura verdade. Dia desses estava me lembrando da minha, há 9 anos atrás. Sim, já estava bem atrasado em relação a alguns colegas. Inventava que já havia acontecido, que era maravilhoso, coisa e tal. A verdade é que só ficava na imaginação. Quebrava o galho com a TV, me ajudou muitas vezes tarde da noite, supria minha necessidade. Mas a verdade é que ainda não tinha chegado lá, e morria de inveja de meus colegas contando de suas experiências maravilhosas. Torcia o nariz, ficava aborrecido, desdenhando e mentindo. Mas por dentro me corroia de vontade. Mas me entendam, na roça não era fácil conseguir uma oportunidade, lá sequer tinha lugar para conseguir o que eu queria. Eis que surge a grande oportunidade. Estava no ensino médio, e lá me sentia o tal. Mesmo sem nunca ter experimentado, a TV já me dava conteúdo para discutir sobre o assunto, até com certa autoridade. E foi em uma ex...

Eu precisava dizer que Te amo

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Era aquele o momento. Não poderia passar. Cresci em uma comunidade provinciana, cá para nós, roça mesmo. Acostumei desde cedo às truculências de uma vida difícil, sempre batalhando para ter, comer ou fazer algo que preenchesse o mínimo possível de conforto físico ou intelectual. Não por culpa de minha família. Meu pai, João para meus familiares, Criolo para os conhecidos, Pai para eu e meus irmãos. Aquele sujeito pacato, engraçado, cheio dos bordões famosos. Nunca deixou que nada nos faltasse e nem à sua mãe, que tanto amava. Sim, estava a lembrar disso naquela tarde ensolarada do dia dos pais de 2005, no Hospital João Felício. Tentava disfarça a terrível tristeza de vê-lo definhar, logo ele, que sempre foi um exemplo de vitalidade. Trabalhava a semana inteira como carpinteiro em obras e ainda lhe sobrava energia para uma capina, um conserto qualquer que nossa humilde casa necessitava, e sempre necessitava. Com o passar do tempo eu e meu irmão encontrávamos tempo para ajudá-lo...