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De Brokeback Mountain à Coxinha: Histórias de Meu Irmão

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Bem, falar coisas boas do meu irmão é chover no molhado. Prefiro focar em uma coisa que ele é uma unanimidade: construir histórias impagáveis. Puxei da minha mente algumas das melhores. Espero que gostem! VOVÔ E A PEDRA Sabidamente o Éder (sim, só chamo ele de seu nome verdadeiro!) era o mais terrível dos filhos de Dona Neuza, com peraltices de deixa-la de pele branca (apesar de médicos dizerem ser vitiligo). Meu avô andava impaciente com as constantes brigas de seu neto com Lilinho, o antagonista da primeira infância do pequeno Éder. Dia após dia era o mesmo “toma conta desse menino, tá na rua brigando de novo”. Minha mãe, entre safanões e chineladas não dava conta. Pobrezinha. Um dia o endiabrado se encantou com um estilingue (atiradeira no bom manejês) e dando de ombros às ameaças de mamãe, mandava pedras em direção à rua de baixo, sem se importar a quem iria alvejar. Para seu amargo azar, seu avô fazia a caminhada da tarde, e segundo confiáveis testemunhas que bebiam tra...

Sabe, não sei

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Não sei se é por causa do sorriso límpido de alguma bobeira que faço; Não sei se é por causa dos olhinhos levemente inchados após acordar; Não sei se é por causa da felicidade que tem em abraçar sua cadela; Não sei se é por que solta pum perto de mim e não disfarça; Não sei se é por que adora acordar cedo e ir trabalhar; Não sei se é por que está sempre me dando conselhos sensatos; Não sei se é por que gosta de assistir musicais comigo; Não sei se é por causa do seu dedão do pé engraçado; Não sei se é por que adora conversar com seu avô; Não sei se é por que não ri pra qualquer um; Não sei se é por que faz cara de tédio quando começo a falar de coisas chatas; Não sei se é por que torce para o Flamengo; Não sei se é por que fala com vozinha de criança quando quer cafuné; Não sei se é por causa que  implica comigo em um sábado à tarde; Não sei se é por que não consegue ver filme de cachorro sem chorar; Não sei se é por causa do seu chinelo do Mickey M...

A Lenda de um rapaz Incomum

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Amava cinema. Uma dentre as poucas boas coisas que amava. Odiava o Zorra Total. Uma dentre as inúmeras coisas boas e ruins que odiava. Sim, é complexo, como sua trajetória, seu comportamento, capaz de sair na porrada com um colega e beber com ele horas ou minutos depois. Sempre foi assim, indomável, sem meias palavras, sem regras de etiqueta (pobres professoras) que o fizessem comum. Era incomum. Na capacidade de ser espontâneo, de jogar futebol, de ser incoerente. Se dizia cagar para o mundo, mas enxergava alguma beleza nele que fazia com escrevesse poesias em seu caderno de matemática, quase sem anotações, óbvio. Sim amigos, o mesmo rapaz que atravessava “corredor polonês” na escola, que peitava, sozinho, uma turma de valentões em uma balada, era capaz de fazer poesias, de cantarolar Cazuza, ler Dostoievski ou divagar sobre o universo e sua existência. Talvez este seja o ponto que o tornava um paradoxo humano. Uma pessoa difícil de se ler, de se entender. Até mesmo para os mais ...

A Cachorra e sua Menina

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Não é amizade. É amor, incondicional. Se fitam como se conhecessem há séculos, de outras vidas. Talvez seja isso. O que sentem não dá para explicar, apenas observar, e observando somos contagiados por uma energia benfazeja única. Seja no passeio pelas calçadas da cidade pacata, seja no cochilo pós-almoço de sábado, a ligação entre elas é como um conto de fadas, mas que partiu do “felizes para sempre” logo no início. Ainda que se desentendam, isso é tão breve que não se diferencia de uma das muitas brincadeiras. Aos outros, basta mesmo é observar. Não fazem questão de que gostem delas ou que aprovem sua relação. Pois só elas sabem o bem que se fazem, o carinho que se proporcionam, o alento em um coração triste ou o complemento de um momento de felicidade. É uma relação de amor em seu mais puro estado, daqueles que fazem uma deslocar pela madrugada para ver a outra, ou que a outra se plante atrás de uma porta ate que a uma retorne. Assim é, e assim será, enquanto o destino inerent...

Um pouco sobre minha Mãe

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Neuza Maria da Silva tem uma vida boa hoje, compra o que quer, come o quer, fala o que quer. Mas, se contar tudo que passou para chegar a sua pacata vida no vilarejo de Manejo, em Lima Duarte, talvez dê um livro. Mas, vou tentar resumir um pouco segundo seus próprios relatos.  Neuza sempre foi trabalhadora, e aos 9 anos já trabalhava em casa de família, na casa de um alemão. Lá viveu algumas experiência que a ajudariam a se tornar um futura mulher forte e aguerrida. A primeira delas foi um acidente de carro, do qual até hoje carrega uma cicatriz, que, toda vez que a olho ou acaricio sinto um certo temor por ter sido impedido de ser seu filho pela imprudência de um motorista bêbado. Dormia em uma cama com suas duas irmãs e uma adorável porquinha. Na alta juventude, foi morar no Manejo com sua irmã mais velha, bem mais velha aliás, a qual considerava como uma mãe, já que esta a deixou ainda em sua tenra idade. Nessa época conheceu o João, sujeito malandro metido em uma cal...

Crônicas da saudade: Tudo aquilo que não vivemos

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Ah, como estou com saudade! Lembra daquele dia, em que o Flamengo ganhou do Vasco na final da Copa do Brasil? Até hoje morro de rir dos nossos vizinhos irritados com os foguetes de três tiros que insistiu em soltar depois da meia-noite. Só não foi mais louco que aquele dia do título brasileiro de 2009. Nossa, como a gente gritou na rua, como um bando de gente doido. Nossa, parece que foi ontem... E o dia em que a Flávia concluiu o terceiro ano. Nossa, você quase chorou de tanto orgulho, já que sempre quis que ela terminasse os estudos, pois você adorava se gabar com todo mundo  que sua filha era a mais inteligente da comunidade. Lembro direitinho no dia em que ela nos mostrou as notas do ENEM. Primeiramente você não entendeu o que tudo aquilo significava, mas quando lhe disse que 100 pontos (!!!) em uma redação de nível nacional era um absurdo, correu para a venda comprar um frango pra janta. Comemos até ter de tomar bicarbonato depois. Sem esquecer da formatura do Ede...

Crônicas da saudade: 19:44

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Era uma quarta-feira. Cansado depois de mais uma noite de serviço no 10º Batalhão de Infantaria, precisava demais de descanso. A cabeça estava a mil. Naquele dia havia descoberto que meu pai estava com câncer e que um de seus pulmões já não funcionava mais. Lembro que meu irmão disse mais uma dezena de frases sobre o tratamento, mas não ouvi mais nada. Apenas equacionei algo que sempre pensei depois que esta doença (que dizem para não falar o nome) começou a matar mais que a Aids os famosos dos noticiários, que câncer + pobre = morte. Ao ouvir a deliciosa melodia que marcava o final do expediente, coloquei uma mochila nas costas e fui para casa de meus amigos. A casa da Dorvalina e seus filhos sempre foi para mim uma segunda casa, onde sempre fui tratado com carinho e amizade, como parte da família mesmo. Pouco disse depois que cheguei. Ainda não tinha forças para dizer aquela notícia sem chorar. Não queria chorar, tinha de ser o forte, aquele que ampararia todos quando o mome...