quarta-feira, 30 de março de 2011

Admirável Jornalismo novo

No mundo digital, os parametros do jornalismo se tornaram maiores em termos de produção e distribuição de informação. O que muitos julgam como uma hecatombe na qualidade do processo, o doutor em jornalismo e professor e pesquisador da Universidade Federal da Bahia, Elias Machado, em sua tese “O ciberespaço como fonte para os jornalistas” , mostra que mesmo com seus problemas, a web pode auxiliar o profissional, desde que utilizado de forma correta. O principal suporte oferecido pelas redes telemáticas que geralmente são utilizados pelos jornalistas são os dados numéricos, ou seja, os índices quantitativos e gráficos. Neste caso este auxilio digital instaura um banco de dados virtual no qual é possível checar ou comparar informações recolhidas por quaisquer fontes. Em contrapartida, a difusão de uma quantidade ilimitada de material pode comprometer a confiabilidade. O jornalista afirma que “A estrutura descentralizada do ciberespaço complica o trabalho de apuração dos jornalistas nas redes devido a multiplicação das fontes sem tradição”. Mesmo assim, o uso dessa ferramenta é cada vez mais presentes nas redações. Essa convergencia de informações implica em uma inversão no modo de se fazer jornalismo. A materia-prima que originava uma pauta poderia conter apenas uma frase ou comentária de uma pessoa ou autoridade, cabia ao repórter buscar algo a mais que pudesse o auxiliar e complementar seu material para assim conceber uma reportágem, o que tornava a tarefa mais trabalhosa. No jornalismo digital, as ferramentas permitem que o jornalista se prepare para a reportagem em menos tempo e com muito mais informações adicionais. Porém, nem tudo é tão simples. A rede é livre para que todos possam se tornar difusores de todos os tipos de informação. Em sites de relacionamentos e blogs o indivíduo é livre para escrever o que bem entender com seu próprio ponto de vista, podendo ser ou não real o que está postado. O bom profissional deve ter fontes virtuais confiáveis, pois toda responsabilidade do que escrever será somente sua. Essa situação, evidencia a necessidade de criar leis para o auxilio dos profissionais, incluindo essas fontes digitais como responsáveis em casos de ações judiciais. Sobre isso Elias Machado afirma que “… a participação do usuário enquanto fonte ou coloborador revela a necessidade deuma atualização dos códigos de ética profissional com a definição dos direitos e deveres dos usuários como fontes”. Contudo, o que mais preocupa o meio jornalistico é o futuro. A possível substituição de repórteres convencionais pelas fontes digitais causa um certo medo entre os profissionais. O jornalismo pode se limitar apenas a um editor, que vasculhará a web atrás dos produtores de notícias e receberá tudo em seu notebook, organizando e passando à diagramação e publicação. Porém isso tudo pode ser adaptado a um novo sistema, sem danos ou perdas à profissão, basta aceitar que existe esse jornalismo digital, mas nunca deixar a boa e velha apuração presencial desaparecer.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Há seis anos

Lá estava ela. Linda como sempre com seu sorriso que refletia os brincos de ouro-de-tolo de suas amigas. Eu, parado com cara de idiota, só conseguia pensar em uma coisa:"Que diabos essa menina viu em mim?". Olhava para meus amigos só para ver a reação deles quando ela chegasse e me beijasse. Sua bela jaquetinha branca combinava com seu claro sorriso e complementava o brilho de seus olhos. Meu coração batia descompassado. Não poderia demonstrar a minha insegurança e ansiedade. Não queria que pensasse que era um frouxo que se entrega a uma garota logo com um dia de namoro. Queria manter minha panca, mas acima de tudo não queria decepcioná-la. Me senti réu e juri em um julgamento íntimo. Seria mesmo digno de moça tão bela e adorável? Os segundos se arrastavam e quanto mais ela se aproximava, mais a acusação me setenciava. Uma branca namorando um negro? De tão nervoso cheguei a pensar bobagem. Se ela não se importava com a quantidade de melanina que tinha em minha pele, por que eu iria me importar? Chegou! Me disse um "oi" tão macio quão uma almofada de pluma de ganso. O beijo! Uma intensa viagem de mim em mim. Era como se todo aquele torpor tivesse desaparecido. Só restara uma solene melodia da qual jamais esquecerei, mas nunca conseguirei reproduzir. Quando dei por mim, estava tão perdido quanto o barbudo de Paris, Texas. Por vários minutos não falei, não sorri, apenas admirei sua linda boca, seu sorriso suave e seu jeito singular de ser. O amor! Só ele é capaz de deixar uma pessoa dessa forma. Já não sei e nem quero saber como é mais viver sem ele. Há 6 anos que vivo nessa catarse emocional. Há 6 anos que descobri o que é ser feliz.