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O 13 da sorte

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O ser humano tem um costume inerente em acreditar em superstições. Falácias, que de tão bem contadas acabam por se tornar verdades inquestionáveis, axiomas iluministas sem qualquer base científica ou racional que valide sua existência. Uma delas gira em torno do número 13. Uma triscaidecafobia (sério, medo do número 13) que atinge muitas pessoas e que não se sabe bem de onde surgiu, mas alguns acreditam teralguma coisa haver com a Santa Ceia, onde treze pessoas compareceram à refeição derradeira de Jesus Cristo. Pasmem, mas em alguns países como EUA e Canadá, vários edifícios não possuem o 13º andar, nomeando o dito cujo como 12ºA, intermediário, menos 13. O Zagallo acha que o número idealiza sua sorte, onde um “vocês vão ter que me engolir” só se deu devido a uma série de combinações malucas que resultam em 13. Petistas, bem, todo mundo sabe.
Mas pra mim, é só um número, mas um número especial, ao menos este ano. Este número corresponde ao número de anos em que acordei feliz numa m…

A matemática do "eu te amo"

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Não me lembro bem da primeira vez que disse "eu te amo" para você. Deve ter sido umas duas semanas depois de começarmos a namorar, pois sou assim mesmo, se sinto com certeza o que estou sentindo, pra quê esperar para falar um "eu te amo". Já vi muitas vezes em filmes os personagens com aquele asco em dizer a tal frase. Ou mesmo entre amigos meus, que em nossa adolescência militavam contra o "otário" que tinha dito que amava uma garota. Amar é amar, seja entre pais e filhos, irmãos, namorados, é um estado de espírito lindo, que faz com se enxergue as coisas com mais alegria e otimismo. Se eu for relatar tudo o que mudou em minha depois que lhe disse "eu te amo" a primeira vez, teria de fazer mais um texto. Enfim, nesses quase treze anos em que lhe disse "eu te amo" pela primeira vez, não faço ideia de quantas vezes eu o tenha dito, penso em números exorbitantes, quase ilusórias. Mas vou tentar algo original, louco, mesmo não sendo um g…

A Rainha das minhas tardes

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Quando se é criança, todas as tardes têm o potencial para serem inesquecíveis. E foi em uma delas que se construiu minha lembrança mais sensacional, uma lírica passagem de minha existência em que fui habitante de um planeta distante, que juntamente com meus dois irmãos, lutávamos para derrotar um vilão superpoderoso. Na verdade, toda essa história nasceu da super mente de minha irmã, que naquela tarde era a Rainha Krikra, e eu e meu irmão, os Krikrizinhos. Tudo aconteceu em influência direta do clássico da Sessão da Tarde “A Caravana da Coragem”, spin-off da saga Star Wars, que trazia os Ewoks como os protagonistas da trama.
O ponto é que em meio a dureza do mundo real, estávamos lá, nos divertindo, vivendo em um mundo de fantasia bem mais acolhedor do que aquele que nos encarava quando a névoa da diversão se dissipava. Tudo isso graças à minha irmã. Desde sempre foi aquela que se preocupou em tentar afastar os pensamentos de seus dois caçulas de tudo o que poderia nos aborrecer. Er…

O feliz aniversário do Pato-rouco

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Nunca tive uma festa de aniversário quando pequeno. Nunca experimentei aquela adrenalina que deve ser para uma criança esperar o momento de reunir a galerinha em brincadeiras mil, se empanturrar de doces e salgados, e assoprar as velinhas. Ah, como sonhei em assoprar as velinhas acompanhado do “é big, é big, é hora, é hora, rá-tim-bum”. Mas não tive a sensação. Primeiramente pela condição socioeconômica insuficiente, e depois pela inconveniência de se nascer entre o natal e o ano-novo. Quando surgia a possibilidade de uma comemoração, vinha o “vamos comemorar junto com a ceia”. Balela que uma criança não engole, de jeito nenhum. E os presentes? Bem, quando ganhava era para os dois. Aceitava, óbvio, mas ressentia, pois no dia 30, neca de catibiriba. Além de tudo, meu pai nunca estava presente, só chegava no dia 31, à tarde, sem mesmo a possibilidade de ouvir sua voz pelo telefone me felicitando. Minha mãe fazia o que estava a seu alcance. Comprava um frango fiado, fazia uma maionese d…

Existe razão

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Adilson abriu os olhos mas não quis se levantar, ficou deitado e viu que horas eram, enquanto a Aline estudava em outro canto do Manejo como eles disseram. Tudo bem, não foi assim tão casual quanto o romance cantado pelo mítico Renato Russo e, pensando bem, não sei como foi. Mas imagino, posso imaginar, que os olhares se cruzaram sob o pretexto de um gosto em comum, o Legião, em que os legionários viúvos de seu ídolo cantavam à sua morte. E ele, o mesmo sorriso de canto de boca, o mesmo cavanhaque sem vergonha dando-lhe um charme a lá Casanova, dedos sagazes a soprar notas sedutoras ao ouvido da púbere. Que não era dessas romaticazinhas de caderneta. Esperta, se escondia por detrás de um véu de timidez, para embrulhar os pudicos, mas a gente sabia, ele sabia, a menina era atrevida, e na irresponsabilidade da adolescência namoraram um namorico. Destes que vão e voltam, beijos aqui e acolá, nada sério.
Mas o lance se tornou um encanto, de correntes firmes, que se elevavam ao shakespea…

No Dia dos Pais sempre teve Frango!

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No Dia dos Pais sempre teve frango. Raramente meu pai deixava de comer um "tira-gosto" nos domingos em que estava presente em casa. Mesmo sem dinheiro ou crédito, lá estava o frango, o "figuinho", a moela ou qualquer outro tipo de carne que pudesse conseguir. O domingo para ele era especial. Acordava cedo, se ocupava com algum afazer da casa, como capinar o terreiro. Parecia adorar tanto quanto eu odeio. Logo após já estava na casa de sua mãe. Jamais deixou de comparecer lá ao menos para lhe tomar uma "bença". Aí vinha os amigos, o boteco, a bebida, mas não o suficiente para evitar que voltasse para casa a tempo de pegar o almoço quentinho e o "tira-gosto" saboroso no ponto. Depois tinha o cochilo. Inevitável. Porém, nunca tempo demais para que perdesse o jogo do Flamengo na TV, o do primeiro time do Manejo lá no campo. Domingo era seu dia. À noite chegava em casa cedo. Comia a comida requentada do almoço, obviamente com aquele restinho do &quo…

De Brokeback Mountain à Coxinha: Histórias de Meu Irmão

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Bem, falar coisas boas do meu irmão é chover no molhado. Prefiro focar em uma coisa que ele é uma unanimidade: construir histórias impagáveis. Puxei da minha mente algumas das melhores. Espero que gostem!
VOVÔ E A PEDRA
Sabidamente o Éder (sim, só chamo ele de seu nome verdadeiro!) era o mais terrível dos filhos de Dona Neuza, com peraltices de deixa-la de pele branca (apesar de médicos dizerem ser vitiligo). Meu avô andava impaciente com as constantes brigas de seu neto com Lilinho, o antagonista da primeira infância do pequeno Éder. Dia após dia era o mesmo “toma conta desse menino, tá na rua brigando de novo”. Minha mãe, entre safanões e chineladas não dava conta. Pobrezinha. Um dia o endiabrado se encantou com um estilingue (atiradeira no bom manejês) e dando de ombros às ameaças de mamãe, mandava pedras em direção à rua de baixo, sem se importar a quem iria alvejar. Para seu amargo azar, seu avô fazia a caminhada da tarde, e segundo confiáveis testemunhas que bebiam tranquilament…