domingo, 19 de fevereiro de 2017

Sabe, não sei

Não sei se é por causa do sorriso límpido de alguma bobeira que faço;
Não sei se é por causa dos olhinhos levemente inchados após acordar;
Não sei se é por causa da felicidade que tem em abraçar sua cadela;
Não sei se é por que solta pum perto de mim e não disfarça;
Não sei se é por que adora acordar cedo e ir trabalhar;
Não sei se é por que está sempre me dando conselhos sensatos;
Não sei se é por que gosta de assistir musicais comigo;
Não sei se é por causa do seu dedão do pé engraçado;
Não sei se é por que adora conversar com seu avô;
Não sei se é por que não ri pra qualquer um;
Não sei se é por que faz cara de tédio quando começo a falar de coisas chatas;
Não sei se é por que torce para o Flamengo;
Não sei se é por que fala com vozinha de criança quando quer cafuné;
Não sei se é por causa que  implica comigo em um sábado à tarde;
Não sei se é por que não consegue ver filme de cachorro sem chorar;
Não sei se é por causa do seu chinelo do Mickey Mouse;
Não sei se é por que tem intolerância a lactose;

Enfim, tentei encontrar, porém não consegui. Não sei qual é motivo de te amar tanto assim, mas amo. E isso basta.

Parabéns para você e espero que continue com os mesmos olhos felizes do dia em que te conheci.

TE AMO!

domingo, 25 de setembro de 2016

A Lenda de um rapaz Incomum


Amava cinema. Uma dentre as poucas boas coisas que amava. Odiava o Zorra Total. Uma dentre as inúmeras coisas boas e ruins que odiava. Sim, é complexo, como sua trajetória, seu comportamento, capaz de sair na porrada com um colega e beber com ele horas ou minutos depois. Sempre foi assim, indomável, sem meias palavras, sem regras de etiqueta (pobres professoras) que o fizessem comum. Era incomum. Na capacidade de ser espontâneo, de jogar futebol, de ser incoerente. Se dizia cagar para o mundo, mas enxergava alguma beleza nele que fazia com escrevesse poesias em seu caderno de matemática, quase sem anotações, óbvio. Sim amigos, o mesmo rapaz que atravessava “corredor polonês” na escola, que peitava, sozinho, uma turma de valentões em uma balada, era capaz de fazer poesias, de cantarolar Cazuza, ler Dostoievski ou divagar sobre o universo e sua existência. Talvez este seja o ponto que o tornava um paradoxo humano. Uma pessoa difícil de se ler, de se entender. Até mesmo para os mais amigos. Existia ali uma força que não compreendíamos, e acredito que nem ele mesmo. Algo que criava uma inércia emocional que reservava 10% de seu eu para si, que consumia sua vontade de ir atrás do que sonhava. Deixava distante seu (UM) SONHO DE LIBERDADE (Ah, seu filme predileto). Algo que não conseguimos afastar dos outros 90% de sua persona. Um fatídico dia veio. Nos restou a saudade e a tarefa de propagar sua mitologia. A lenda de um rapaz incomum, que sabia ser rude e estúpido na mesma intensidade que sabia ser sensível e amigável. De um rapaz que era paradoxal demais para ser daqui. 


sábado, 17 de setembro de 2016

A Cachorra e sua Menina




Não é amizade. É amor, incondicional. Se fitam como se conhecessem há séculos, de outras vidas. Talvez seja isso. O que sentem não dá para explicar, apenas observar, e observando somos contagiados por uma energia benfazeja única. Seja no passeio pelas calçadas da cidade pacata, seja no cochilo pós-almoço de sábado, a ligação entre elas é como um conto de fadas, mas que partiu do “felizes para sempre” logo no início. Ainda que se desentendam, isso é tão breve que não se diferencia de uma das muitas brincadeiras. Aos outros, basta mesmo é observar. Não fazem questão de que gostem delas ou que aprovem sua relação. Pois só elas sabem o bem que se fazem, o carinho que se proporcionam, o alento em um coração triste ou o complemento de um momento de felicidade. É uma relação de amor em seu mais puro estado, daqueles que fazem uma deslocar pela madrugada para ver a outra, ou que a outra se plante atrás de uma porta ate que a uma retorne. Assim é, e assim será, enquanto o destino inerente a todo ser vivo não faça valer sua inevitabilidade. Será sempre a cachorra e sua menina. Amor de verdade.

domingo, 8 de maio de 2016

Um pouco sobre minha Mãe

Neuza Maria da Silva tem uma vida boa hoje, compra o que quer, come o quer, fala o que quer. Mas, se contar tudo que passou para chegar a sua pacata vida no vilarejo de Manejo, em Lima Duarte, talvez dê um livro. Mas, vou tentar resumir um pouco segundo seus próprios relatos. 

Neuza sempre foi trabalhadora, e aos 9 anos já trabalhava em casa de família, na casa de um alemão. Lá viveu algumas experiência que a ajudariam a se tornar um futura mulher forte e aguerrida. A primeira delas foi um acidente de carro, do qual até hoje carrega uma cicatriz, que, toda vez que a olho ou acaricio sinto um certo temor por ter sido impedido de ser seu filho pela imprudência de um motorista bêbado. Dormia em uma cama com suas duas irmãs e uma adorável porquinha.

Na alta juventude, foi morar no Manejo com sua irmã mais velha, bem mais velha aliás, a qual considerava como uma mãe, já que esta a deixou ainda em sua tenra idade. Nessa época conheceu o João, sujeito malandro metido em uma calça branca e de papo leve. Casaram-se algum tempo depois e nasceu sua menina, a Flávia, que seria sua companheira de sempre. Nessa época moravam em Benfica, em Juiz de Fora, o "melhor lugar onde morou", como gosta de dizer, sempre que se indispõe com algum vizinho. Lá também nasceu seu filho do meio, o que mais deu trabalho, porém o mais adorado (e isso não é papo de ciumento, toda mãe tem um) dos três.

Depois do nascimento do terceiro filho, que vos escreve, sua vida entrou em um momento difícil, reflexo da crise econômica brasileira do final da década de 80 e início da década de 90. Aí foi o momento de ser a mulher guerreira que nasceu para ser. Neuza criou seus filhos praticamente sozinha, já que seu marido trabalhava fora e só comparecia dois finais de semana por mês. Mesmo que não tenha sido um pai ausente e que tenha sua parcela na criação dos filhos, a mãe foi a que enfrentou todas as barras que o amadurecimento de adolescentes pode proporcionar. 

Enfrentou cafezais, sendo transportada em caminhões sem segurança alguma. Encarou a geada da manhã, o almoço frio, e as próprias limitações físicas, já que não era nenhuma garota à época. Tudo isso por sua vontade de dar a seus filhos alguma qualidade de vida, nem que fosse uma alimentação de qualidade. Às vezes, quando suas forças falhavam e meu pai ganhava muito pouco, se virava para nos dar o que comer, mesmo que isso fosse apenas macarrão com pimentão. Em meio toda as dificuldades da vida, sempre acompanhei com muita angústia as noites em que ela passava em claro, fumando seu cigarro de palha e rindo de devaneios que não a deixavam descansar. 

Entretanto, quando vieram os anos 2000, algumas coisas mudaram, e seu Ederzinho entrou para o quartel, engajou, se tornou cabo e mandou arrumar a casa, que aos poucos ruía. Menos uma preocupação em sua cabeça (já que ela tem muito medo de chuva, apesar de jurar de pés juntos que não). Em 2004 teve uma grande surpresa quando seu marido resolveu parar de beber. Afastado do trabalho devido a problemas cardíacos, ele se dedicava à casa e a ela, como a décadas não acontecia. Tudo ótimo? Ainda não.

Um ano mais tarde sofreu seu primeiro grande baque. João tombou, internado com uma suposta pneumonia, que um mês depois se confirmava um câncer de pulmão e uma semana depois jazia em seu túmulo no cemitério do Manejo. Neuza sofreu, entrou em depressão. Como superar a perda de um parceiro de uma vida? Aquilo não lhe parecia justo. Mas, ao invés de se entregar ela decidiu seguir em frente. Atirou um cigarro pela janela para nunca mais colocá-lo entre os dedos novamente. Recuperou a alegria, as brincadeiras bobas voltaram. Viu seus filhos se formarem, um se casar, e aos poucos irem tomando rumo.

Aí veio o segundo baque. Sua irmã mais velha, sua segunda mãe se foi. Perdeu o chão e o controle de sua glicose. Mas, absorveu a pancada, e rapidamente entendeu que a vida é assim, as pessoas vivem e morrem, isso é natural. Decidiu continuar vivendo, comendo bem, aproveitando sua vida e de vez enquanto se preocupando com os filhos, pois não seria mãe se não o fizesse. Reza, ri, assiste O Senhor dos Anéis dezenas de vezes. Faz brincadeiras bobas com sua companheira de sempre, a Flávia. E apesar de toda a saudade de seus entes e às vezes achar que o copo está meio vazio, vive uma vida feliz.

Ao olhar em seus olhos sinceros, talvez ninguém consiga imaginar que aquela mulher já enfrentou muita coisa, sofreu como poucas. Mas estranhamente não se vê o sofrimento guardado ali. Dona Neuza ensinou a mim e aos meus irmãos a não levar desaforo para casa, não pegar nada de ninguém, não desrespeitar os mais velhos, a não comer manga e beber leite, e principalmente que tudo o que o destino nos impõe pode ser dobrado e colocado de lado. Para mim será sempre minha heroína, a pessoa que formou meu caráter e que me disse uma vez que ninguém seria melhor do que se eu não aceitasse. Por isso eu a amo.

E  isso é apenas um pouco sobre minha mãe.

P.S.: Hoje, 08/05/16, depois de terminado este texto, Dona Neuza veio a perder mais uma de suas irmãs. Tia Graça, a qual não via a décadas, mas mantinha contato por telefone, faleceu vítima de um ataque cardíaco. Minha mãe sofreu,(era a que defendia ela das coças da minha avó) e sofrerá por alguns dias. Mas, tenho certeza que superará, e estará pronta para continuar sempre em frente, digno da guerreira que é.




sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Crônicas da saudade: Tudo aquilo que não vivemos


Ah, como estou com saudade! Lembra daquele dia, em que o Flamengo ganhou do Vasco na final da Copa do Brasil? Até hoje morro de rir dos nossos vizinhos irritados com os foguetes de três tiros que insistiu em soltar depois da meia-noite. Só não foi mais louco que aquele dia do título brasileiro de 2009. Nossa, como a gente gritou na rua, como um bando de gente doido. Nossa, parece que foi ontem...

E o dia em que a Flávia concluiu o terceiro ano. Nossa, você quase chorou de tanto orgulho, já que sempre quis que ela terminasse os estudos, pois você adorava se gabar com todo mundo  que sua filha era a mais inteligente da comunidade. Lembro direitinho no dia em que ela nos mostrou as notas do ENEM. Primeiramente você não entendeu o que tudo aquilo significava, mas quando lhe disse que 100 pontos (!!!) em uma redação de nível nacional era um absurdo, correu para a venda comprar um frango pra janta. Comemos até ter de tomar bicarbonato depois.

Sem esquecer da formatura do Eder. Caramba, você não gostava de perder uma festa, e aquele dia então... colocou um terno azul-escuro, penteou o bigode e até conseguiu fazer a mãe ir. Sua cara de bobo vendo o filho se tornando o homem que o criou para ser, me marcou. Quando ele o homenageou na formatura, aí você não aguentou né. Chorou sim que eu vi, aliás, choraram, já que seu filho do meio desanda a chorar por qualquer coisa mesmo.

Ri demais no dia em conheceu a Bárbara e não acreditava que seu filho havia arrumado uma namorada tão bonita. Aliás, no dia em que noivamos roubou a noite com suas piadas e a conversa fiada de sempre. No dia do casamento parecia ansioso, como fosse você a casar. Eram só alguns papéis, mas se sentia em um grande evento. Ah, e no dia em que me formei jornalista? Foi pro boteco distribuir o “eu falei que ele ia ser jornalista” para seus amigos, o que sempre me encabulava, mas lhe deixava radiante.

Como me arranca um sorrisinho aquelas noites de domingo, em que você gostava de ver a Dona Neuza enfezada, ora reclamando do programa de TV, ora reclamando que estava passando mal. Às brigava até com juiz que havia “roubado” o Flamengo naquele dia. Soltava o seu irritante “num é possível” só para fazê-la franzir o cenho e praguejar algo que ninguém ouvia, já que suas gargalhadas abafavam.

Mas tiveram aqueles dias tristes, como quando perdeu sua mãe, minha avó. Sei o quanto a amava. Ninguém conseguia lhe dizer nada, apenas abraçá-lo. Seu irmão também se foi, assim como alguns diletos amigos. E o que dizer daquele dia em que seu melhor amigo, seu cachorrinho inseparável sumiu. Das buscas sem sucessos que fizemos por todos os lados. Todo este sofrimento só foi vencido pelo o amor que sempre estávamos dispostos a lhe ceder. Passamos por tudo juntos!


Bom pai, uma pena que isso não são lembranças reais, são apenas frutos de uma saudade imensa, do tamanho do amor que senti e sinto por você. Não tenho nenhum tipo de crença em deuses ou sequer sou ligado a alguma doutrina religiosa, mas, às vezes, me pego imaginando que isso não pode ser só isso, nossa existência não pode ser tão medíocre. Porém, vejo que este meu pensamento só é a necessidade de querer um dia te ver de novo, te falar tudo o que não falei, de fazer que a saudade de tudo que não pude viver contigo seja abranda por mais um abraço. Um dia, no meu dia de ir, espero que minhas convicções estejam erradas, e lá esteja você me esperando, sentado encolhido em um canto qualquer, com seu cachorrinho deitado a seus pés, você me olhando...

domingo, 9 de agosto de 2015

Crônicas da saudade: 19:44


Era uma quarta-feira. Cansado depois de mais uma noite de serviço no 10º Batalhão de Infantaria, precisava demais de descanso. A cabeça estava a mil. Naquele dia havia descoberto que meu pai estava com câncer e que um de seus pulmões já não funcionava mais. Lembro que meu irmão disse mais uma dezena de frases sobre o tratamento, mas não ouvi mais nada. Apenas equacionei algo que sempre pensei depois que esta doença (que dizem para não falar o nome) começou a matar mais que a Aids os famosos dos noticiários, que câncer + pobre = morte.

Ao ouvir a deliciosa melodia que marcava o final do expediente, coloquei uma mochila nas costas e fui para casa de meus amigos. A casa da Dorvalina e seus filhos sempre foi para mim uma segunda casa, onde sempre fui tratado com carinho e amizade, como parte da família mesmo. Pouco disse depois que cheguei. Ainda não tinha forças para dizer aquela notícia sem chorar. Não queria chorar, tinha de ser o forte, aquele que ampararia todos quando o momento, que depois da equação acreditei ser inevitável, chegasse. Apenas me deitei na cama debaixo do beliche e assistia a TV.

Às 19:18 meu telefone tocou. Era meu irmão me perguntando se já havia chegado ao HU para a visita noturna ao meu pai, que se iniciara Às 19 horas. Disse que não. Então me detonou, explicou que não poderia ir lá, não daria tempo de sair do serviço e chegar a tempo. Nossa mãe e nossa irmã também não iriam, pelo motivo que não lembro, e havia me dito tudo isso de manhã, no momento da notícia avassaladora. Mas obviamente não me lembrava.

Com um salto calcei meu tênis, peguei a mochila e sai. Lembro de ter dito tchau para algumas pessoas na sala, não me lembro quem eram e nem expliquei o motivo de tanta pressa. Corri até o fim da rua torcendo para que não caísse no vácuo dos horários de ônibus, quando não se passa nenhum coletivo sequer. Mas dei sorte. Um 539 passava naquele exato momento. Fora do ponto saltei em sua frente. O motorista meio contrariado parou. Sentei bufando e olhando desesperadamente para o relógio a cada parada nos pontos caminho a fora.

O ônibus parou. Nem lembro de ter atravessado a rua, mas de entrar no hospital. Perguntei pelo paciente e o quarto. A mulher da recepção estava indiferente ao telefone. Depois de alguns instantes me atendeu, me informou. Parei em frente ao quarto, respirei fundo, não queria chorar, nem parecer triste. Olhei a hora, 19:44. Entrei e vi meu pai na cama, de olhos fechados. Gelei. Mas, logo após abriu os olhos e me lançou um olhar de surpresa. “Achei que ninguém vinha”. Sorri e disse que atrasei por que confundi a hora. Naquela noite pouco conversamos, sabia que mais do que eu, ele estava despedaçado pela notícia. Quando a enfermeira informou o fim da vista, o abracei. Despedi e sai. Queria voltar e dizer tudo o que passei para estar ali às 19:44, e como sempre estaria em qualquer lugar que ele precisasse de mim.


Quando desci as escadas que ligam o HU à Avenida dos Andradas chorei. Como nunca chorei na vida, por tudo o que meu pai estaria sofrendo e tudo o que sofreria. Queria que aquilo acabasse logo, que não sofresse mais. E naquele domingo, dia dos pais, acabou. Mas prefiro pensar que o que se acabou aquele dia foi apenas seu sofrimento, injusto para alguém como ele. Um presente se imaginarmos o quão irreversível era tudo aquilo naquele momento. Mas meu pai sempre estará vivo, na memória daqueles que o ama, e será assim, quando a última dessas pessoas se for.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Crônicas da saudade: Aquele Jogo

Manejo e Vila São Geraldo é o que pode se comparar a Corinthians e Palmeiras, Flamengo e Vasco ou um Gre-Nal no nosso modesto futebol amador. Pela proximidade das comunidades e o convívio cotidiano, uma vitória sobre o rival no campeonato inter-distrital de Lima Duarte era motivo de alegria e escárnio por algum tempo. Mas, aquele era diferente. Tinha algo a mais. Era exatamente sete dias após a morte de um de seus torcedores mais fervorosos, que se foi ocupando o cargo de vice-presidente. João Batista da Silva, o Criolo, acompanhava a equipe seja onde quer que fosse, ganhando ou perdendo. Por isso, vencer aquele clássico estava acima de qualquer outra coisa.

A equipe andava desmotivada, quase eliminada prematuramente na primeira fase. Mas, naquele jogo não haveria qualquer coisa que diminuísse o ânimo. O atacante, Eder, era filho de Criolo, e sempre foi ídolo de seu pai, e já se desmanchara em lágrimas no discurso dentro vestiário. Como eram todos amigos, “fecharam” com o rapaz para que não perdessem aquele jogo, não aquele. Mesmo com o calor escaldante, mesmo com um jogador a menos, mesmo com o time adversário melhor, aquela seria a “missa de sétimo dia” mais inesquecível de todas.

Começou o jogo, e como era de se esperar o time deles estava melhor. O goleiro, Robinho, fez um ou dois milagres, por que aquele dia não poderia perder. Afonsinho, com o joelho baleado lutou como nunca. Suas conhecidas botinadas deram lugar a um jogo limpo, pois não poderia correr o risco de ser expulso, não naquele jogo. Uma jogada pela direita, Abel, nosso saudoso amigo não foi fominha, não podia, não naquele jogo, cruzou com perfeição. Guida, amigo de Criolo cabeceou como se o ouvisse gritar “lá”, e lá, no ângulo a bola morreu. Era o gol, que não poderia faltar, não naquele jogo.


O time se desdobrou, lutou e transpirou como não se via a muito tempo por aquelas bandas. Quando o juiz finalmente apitou, foi como se o campeonato ali tivesse terminado, como se o titulo tivesse sido conquistado. O dever tivesse sido cumprido. Éder agachou no campo. Chorou um choro feliz. Foi abraçado com emoção por todos seus companheiros. Com respeito por todos seus adversários. Sim, era um jogo onde os adversários também eram amigos e que também se comoveram com a perda sofrida uma semana antes. 

Foi inesquecível, lindo, mais que um jogo, uma ode ao amor fraternal. Eder foi o último a ir para o vestiário. Por um instante olhou para arquibancada, pensou ter ouvido um “vai Éder” durante o jogo. Mas foi apenas a saudade. Ao menos o homenageou. Não perdeu o jogo. Não poderia perder. Não aquele jogo.