terça-feira, 5 de julho de 2011

Pós-mortein

A morte é sempre um assunto muito delicado. É algo que nos é mistificado assim que começamos a entender o complexo funcionamento do mundo. Ela nos assusta, atormenta, e nos persegue até termos a exata noção de que será inevitável confrontá-la.

Ao sofrermos uma perda, aceitamos a finitude, com a certeza que virá a acontecer outras e outras vezes. Avós, tios, pais, irmãos, amigos, companheiros e filhos, por mais terrível que seja imaginar o momento, ele vai chegar. Entre condolências, eufemismos, lágrimas e desmaios, o roteiro fúnebre se desenvolve de acordo com a cultura do defunto.

Discursos, tiros, cortejos e às vezes canções, tudo é válido para que o momento da despedida seja o menos torturante possível. Palavras, abraços, apertos de mão ou simples olhares, a emoção e a tentativa de confortar os desconfortados se tornam um filme preto e branco, mudo e triste.

Velhos, adultos, jovens ou crianças, a morte não escolhe e nem tem escolha. Ainda que revolte ver uma criança ou um jovem, com uma vida inteira pela frente , inerte debaixo de uma massa cinzenta de concreto, às vezes, e não poucas, acontece.

Mausoléu, jazigo, tumulo ou cova, ao apagar das luzes alguém os habitará. E não importa a classe, cor, credo, todos serão reduzidos ao mesmo denominador comum em uma simples racionalização. Da putrefação ao esqueleto. Do esqueleto ao pó. Do pó ao nada.

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