quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Relação de Amor em Preto e Branco

O fervor passa-lhe pelas bochechas. Seus dentes brilhavam num sorriso sincero. Os olhos cor de mel e a boca de um aveludado róseo. Fitava-o com admiração infantil, desejava-o como se fosse a última coisa que valesse a pena. Seu corpo nu, branco como neve do Himalaia, contava histórias que poucas páginas ainda eram conhecidas. Os seios alvirrubros e delicados, se enchiam de charme ao se ocultarem nos cabelos lisos que lhe caiam pelos ombros. Os flancos pedintes derivam à mimosa área da libido. A perfeição e o esplendor das nádegas, imponentes. Lembram dois melões e forma e sabor.

Uma paixão visceral arrebatava seu coração. Corpo e mente ansiando pelo momento. Suas mãos brutas e pretas se inquietavam. Passava a língua por entre os grossos lábios, com um olhar misterioso. Seus braços fortes e imperfeitos estremeciam junto com o peitoral sedentário. Seus pelos se enrijeciam por todo corpo. O cheiro de morango silvestre que lhe adentrava as narinas, emocionava os aguçados olhos opacos. O membro já aguardava o desfecho em riste. O coração a ponto de sair pela boca.

O toque. Acariciava aquele monumento de brilho próprio. A recíproca passava pela nuca e chegava ao abdome. Ela exalava um sabor não mais de morango, era um elixir de conhecimento apenas dos deuses olímpicos. Ele absorvia e retribuía em calor humano, herança de seus antepassados. O encontro dos corpos revelava aquilo que lhes consumia. O prazer. A latejante troca de fluídos não era algo selvagem e sim divino. O amor se confraternizava e se alegrava.















O resfolegar acusava o gozo. O capitulo supremo do enlace. Os olhares se encontrando e se estudando. Por que ele gosta de mim? Pensa ela. Ela não liga para minha cor? Pensa ele. O abraço responde a perguntas veladas. O encaixe perfeito carnal e espiritual abrandava aquele medo de se perderem. O beijo sela aquele sublime espetáculo em preto e branco. Um cântico sem ruídos de uma declaração de amor sem palavras.

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