sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Qual Deus é o seu?

Muitos me perguntam sobre minha religião, ou se acredito na existência de Deus. Sempre respondo que religião não me serve de nada e que não acredito em ser supremo que conduz nossos passos pelo mundo, determina quando vai chover ou alguém vai morrer. Porém nunca encontro palavras o suficiente para defender minha tese de que acredito no amor entre as pessoas, e que isso de certa forma é algo divino. Sem precisar de mais nada. Encontrei em um jornal esta semana tudo o que sintetiza o que eu penso em relação ao transcendental, e a forma como devemos encarar a vida e as responsabilidades. Eis as palavras de Baruch Espinoza: 

"Para de rezar e bater no peito! O que quero é que saia pelo mundo e desfrute sua vida. Que goze, cante, se divirta e usufrua tudo o que eu fiz por você. Para de ir a esses templos lúgubres, frios e escuros, que você construiu e crê ser minha casa. Minha casa está nas montanhas, bosques, rios, lagos e prais, onde vivo e expresso meu amor por você. Para de me culpar da sua vida miserável: nunca disse que há algo de mau em você, que é um pecador, que sua sexualidade seja ruim! O sexo é um presente que lhe dei e com o qual pode expressar amor, êxtase e alegria.

Não me culpe pelo que lhe fizeram crer. Para de ler supostas sagradas escrituras, que nada tem haver comigo. Se não me lê num amanhecer, numa paisagem, no olhar de seus amigos, nos olhos de seu filho, não me achará em livro algum! Confie em mim e deixe de me pedir: vai me dizer como fazer meu trabalho? Para de ter medo de mim. Não o julgo, não o critico, não o irrito, incomodo ou castigo. Eu sou puro amor.
           
Para de me pedir perdão. Nada há a perdoar. Se eu o fiz, dotei-o de paixões, de limitações, prazeres, sentimentos, necessidades, incoerências, livre-arbítrio, como posso lhe culpar se responde a algo que pus em você? Crê que criaria um lugar para queimar meus filhos que não se comportem bem, por toda a eternidade? Que tipo de Deus faz isso?
           
Esquece mandamentos e leis; são ardis para manipular e controlar, que só criam culpa. Respeita o próximo e não faça o que não queira para si. Só peço que preste atenção à sua vida, que seu guia seja o estado de alerta. A vida não é uma prova, um degrau, um ensaio ou um prelúdio ao paraíso. A vida é o que há aqui e agora, o que você precisa. Fiz você livre. Não há prêmios, castigos, pecados ou virtudes. Você é absolutamente livre para fazer de sua vida um céu ou um inferno.
           
Não posso dizer o que há após a vida, posso sugerir: viva como se não o houvesse. Como se esta fosse a única chance de gozar, amar e existir. Assim, se não há nada, terá usufruído da chance que lhe deri. Se houver, não vou indagar se se comportou ou não. Vou indagar se gostou, se se divertiu, do que mais gostou, o que aprendeu. Para de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar – e me sinta em você, ao beijar a amada, agasalhar sua filhinha, acaraciar seu cachorro, se banhar no mar.

Para de me louvar!Que Deus acredita que seja? Chateia que me louvem, cansa que agradeçam. Sente-se grato? Prove: cuide de si, da saúde, dos amigos, do mundo! Sente-se olhado, surpreso? Seja alegre, é um jeiro de me louvar. Para de complicar e repetir o que dizem de mim. A única certeza é que você está aqui, vivo, e o mundo é cheio de maravilhas. Para quê milagres? Para quê explicações? Não me procure fora! Não vai me achar. Procura dentro de você, onde estou, tocando-o."
            

Nenhum comentário:

Postar um comentário