À Dois


Acordar e ver aquela pessoa ao seu. Perceber que sua vida já não é mais a mesma. Agora há um caminho que se divide, preocupações que se somam, responsabilidades que se multiplicam, porém não existem subtrações. São comunhões, respeito mútuo, e decisões a serem tomadas não com permissões, mas com conversas. Levantar e olhar para a cama e sentir aquele calor no peito, a sensação de segurança. Ter a consciência de que tem alguém que o espera em casa, ou que você está esperando. Tarefas compartilhadas, alegrias e frustrações também. Saber que o ser humano é constituído de bons e maus momentos, e entender o mau humor e aproveitar o sorriso fácil. Lavar o rosto na pia do banheiro e ver duas escovas de dente, sentir certo estranhamento, perceber que a ficha ainda não caiu. É saber a hora de ouvir desabafos e se não tiver uma única palavra, que um abraço sincero esteja à disposição. Problemas vão surgir, momentos difíceis também, mas o amor e companheirismo deixarão, com certeza, tudo mais simples de ser enfrentado. Voltar para o quarto e ficar observando enquanto aquela pessoa dorme. Involuntariamente sorrir e sentir vontade de proteger, amparar e amar cada minuto da existência dela. Saber abrir mão de certas coisas e não abrir de outras. Ter a noção de que aquilo que te incomoda, talvez incomode também a outra pessoa. Saber, acima de tudo, viver, e ver o quanto estar junto daquela pessoa dormindo ao seu lado é especial. Viver uma vida como duas, claro, até que o descendente chegue, pois aí será viver uma como três, quatro.....

Dedicado à minha esposa e grande amor Bárbara. 

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