quinta-feira, 4 de março de 2010

Simplesmente não acordei


De repente estava em pé na porta do quarto de minha mãe, que chorava muito enquanto era consolada por duas de suas irmãs e três vizinhas. Chamava a Deus, pedia que desfizesse o que havia acontecido. Entre soluços, gritos e lágrimas, ouvia a sussurrar meu nome, o que me causou certo espanto, já que estava a sua vista. “Mãe! Estou aqui.” Em vão, ninguém parecia me ouvir. No momento em que ia proferir o mesmo chamado, alguém me deteve. “não vai adiantar.” Era meu pai, que jazia morto a mais de quatro anos. Naquele instante, percebi o que acontecera. “como? Quando?”, interroguei meu pai, que me ignorou completamente. “E os outros, onde estão?”, novamente sem resposta. Saí à procura dos outros. Encontrei minha Irma em seu quarto, de olhos vermelhos e inchados, folheava velhas revistas de futebol e cinema, que me pertenciam. Parecia sua mente estar a quilômetros dali, talvez lembrando quando debatíamos sobre os assuntos daquelas velhas revistas. Quando fui em direção a sala, vi meu irmão e o meu melhor amigo, ambos cabisbaixos, conversando algo inaudível. Ao me aproximar, percebi que meu irmão chorava, e o meu amigo desconsolado o consolava. Entrei em meu quarto, estirada na minha cama e com aparência de quem chorava em demasia, minha namorada dormia profundamente entorpecida por calmantes. Não consegui me aproximar, percebi que mesmo aconteceu com os outros, também não soube o que dizer, emudecido, senti um grande cansaço que nunca havia sentido antes. “despeça-se deles, agora seu tempo está acabando”. Disse meu pai, que da porta me observava.
_ “como assim, para onde vou?
_ “ande rápido, você tem que partir”. Insistiu meu pai.
_ “por que tenho que ir?”
_ “seu lugar não é mais aqui”
_ “por que então você esta aqui?”
_ “só vim te buscar”
_ “tudo bem, mas antes me responda como aconteceu?”
_ “você simplesmente não acordou”

Nesse instante acordei chorando e suando me pus de pé e logo em seguida sentei na cama.

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